Nova Prata, 22 de Maio de 2019

A primeira vez que deixamos nossos filhos na escola

Tenho certeza de que você mãe e você pai irão se identificar com essas experiências. Afinal, mãe é mãe e pai é pai, independentemente da profissão, idade ou classe social.

Quando deixei meu filho na creche, pela primeira vez, senti um turbilhão de emoções. Primeiro a dúvida se estava agindo certo, afinal meu filho tinha apenas 4 meses de vida. Nesse momento lembrei que a minha mãe parou de trabalhar para que eu crescesse com ela por perto. Ela, ao contrário de mim, pode abrir mão do seu trabalho para cuidar dos filhos. Talvez porque não precisasse trabalhar, talvez porque não quisesse continuar trabalhando. No meu caso eu não queria parar, também precisava continuar trabalhando, ou seja, assunto encerrado. Uma culpa a menos para a lista das culpas que todas as mães carregam.

Existem mães que se culpam por ficar com os filhos em casa, outras que se culpam por colocá-los na escola cedo, ou por não ficarem com eles em casa, mesmo sem trabalhar fora. Também existem mães que se culpam por não sentir culpa. Perdoem-se todas e ponto final.

Naquele primeiro momento, contei muito com o apoio do meu marido. Sim, homens conseguem passar por momentos como este com mais serenidade. Podemos encarar como uma responsabilidade paterna, o suporte na separação mãe e filho, que é tão difícil para as mulheres. Claro que eles também sentem, mas conseguem enxergar o filho no mundo e todos os benefícios de desenvolvimento consequentes dessa separação. Ao mesmo tempo que a mãe protege, o pai incentiva. Mãe é vida e pai é mundo. Cada um com suas habilidades, não é mesmo?

Não vamos esquecer de que também existem mães ou pais, que por diversos motivos, precisam exercer os dois papéis. E fazem isso da melhor maneira que podem, diante de tantos desafios e dificuldades dessa reponsabilidade.

Pois bem, cinco anos se passaram e meu filho iniciou em uma nova escola. É uma escola maior, onde exigirá dele mais autonomia, terá novos desafios e com certeza o levará para mais longe de mim.

Olhei para os lados e percebi que as mães e pais estavam passando pelo mesmo que eu. Vi mães angustiadas porque, o filho nem olhou para trás quando a professora o levou. Outros pais com lágrimas nos olhos, se questionando se o filho conseguiria ficar sozinho. Um ponto de interrogação na testa de alguns pais:  “Será que ele não é apegado a mim?” “Será que o criei dependente demais?”

Pensei comigo: fique à vontade para sentir o que for sentir: você está entre iguais.

Os dias vão passar rápido. Tenho certeza que meu filho vai gostar cada vez mais do lugar que escolhemos para ele. Nesse momento me vejo pensando já em um futuro próximo, porque a cada dia que passa vai ficar claro, muito claro, que cortamos pouco a pouco o cordão umbilical. E quando eu achar que a adaptação já passou e estamos todos muito bem, chegará o dia do primeiro passeio com a escola! Depois disso, os primeiros dilemas da adolescência, da primeira saída com os amigos, das noites sem dormir esperando que volte para a casa.

Ser pai e mãe é ser desafiado a cada dia. Aprendemos sobre o amor maduro, aquele que por vezes nos enche o coração de alegria e em outros momentos nos põe à prova, testando nossos limites e crenças de vida. Todos os dias surgem novas perguntas, novos desafios, repesamos e reavaliamos convicções que eram inquestionáveis! 

Com toda certeza somos pessoas diferentes do que fomos ontem e do que seremos amanhã.

Fique à vontade para sentir o que for sentir: você está entre iguais.

 

Aline Machado Larrosa

Psicóloga de Famílias e Casais - CRP 07/14955

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