Nova Prata, 22 de Agosto de 2019

Por que é tão difícil mudar o padrão?

Diariamente nos deparamos com situações a que estamos habituados a agir da mesma forma. Como se já estivéssemos programados para todas as escolhas que vamos fazer. Nossos valores e a forma como fomos ensinados ditam nossas decisões, mas nem sempre são as melhores escolhas. Por exemplo, já ouvi muitas pessoas reclamando de seus empregos. Reclamações pequenas e outras geradoras de muito sofrimento. Alguns preferem enfrentar diariamente situações como estas a pedir demissão e recomeçar. A falsa “segurança” é determinante para a tomada de decisão. Possivelmente, a referência familiar para quem busca a “estabilidade” são de pessoas que possuem grande dificuldade para encarar mudanças.

Um outro padrão que é interessante para refletir vem dos relacionamentos amorosos. Quantas vezes assistimos amigos vivendo relacionamentos extremamente tóxicos e prejudiciais e, mesmo com motivos concretos, não conseguem separar do parceiro? O que será que estas pessoas viram em suas famílias de origem? Pais, tios, avós felizes em seus relacionamentos ou, pelo contrário, enfrentando sofrimentos para manter seus casamentos? Essa resposta está diretamente associada às escolhas amorosas atuais. Divorciar-se, em uma família que não aprova o divórcio, é muito mais difícil.

Para clarificar o que acontece, vou utilizar as palavras de um autor chamado Moisés Groisman, que exemplifica de uma forma muito clara esse assunto. Ele diz que somos atravessados por uma cruz, onde a haste vertical contém tudo o que aprendemos com nossos antepassados (pais, avós, bisavós), os mitos, os valores, crenças e tabus. Na haste horizontal, a nossa própria história, tudo o que vivemos, ou seja, tudo é influenciado pelas pessoas que são as principais referências de nossas vidas.

Dito tudo isso, a reflexão que quero trazer é que é permitido ter a compreensão da motivação das nossas principais escolhas e, dessa forma, será possível decidir em repetir o padrão ou quebrar o ciclo e fazer uma nova história. Entrar em contato e fazer a leitura consciente de nossos motivadores fará com que possamos tomar decisões mais livres e positivas diante das principais escolhas da vida.

 

Aline Machado Larrosa

Psicóloga de indivíduos, casais e famílias

CRP 07/14955

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