Nova Prata, 20 de Janeiro de 2018

Palavras mágicas

Como em todo o ano que se inicia, faço as minhas considerações para 2018. Não estou falando de promessas, porque dessas eu desisti faz um bom tempo. A vida tem me ensinado que não adianta prometer o que já sabemos que não iremos cumprir.
Então 2017, para mim, foi o ano da palavra “serenidade”, eu a adotei como mantra ao longo dos 12 meses. Já em 2016, eu fui para as ruas, me engajei em passeatas e protestos e ao longo de 2017 usei esta palavra muitas vezes: para ter fé e esperança no futuro, mesmo assistindo à enormidade de absurdos acontecerem sucessivamente. A usei também para a minha vida particular, no trabalho, em relacionamentos e projetos.
Este ano, incorporo à serenidade a palavra eleita para 2018: “relevar”. Se em 2017 eu procurei serenidade para enfrentar os desafios, este ano eu pretendo relevar. Relevar o ódio gratuito, as opiniões contrárias, as mágoas. Habitualmente, quando estou de férias entro bem pouco na internet, não leio jornais nem vejo televisão...sempre tenho coisas mais interessantes a fazer com meu tempo. Como minhas viagens não foram longas, entre o Natal e o Ano Novo, e nos primeiros dias de janeiro retornei à minha casa e me inteirei das notícias. Pronto, foi só ligar a televisão e entrar na internet para sentir que preferia estar em uma ilha deserta.
Já desde a noite do dia 31 de dezembro coloquei como meta a palavra escolhida. Resolvi que este ano vou relevar, deixar para lá o máximo possível tudo que me incomoda.
Vou relevar a ideia onipresente à minha volta de que, por ser solteira, tenho que aceitar todos os convites: topar qualquer coisa e qualquer lugar, afinal não sou um casal ou uma família para ter o direito de negar programas ou optar por lugares. Para muitas pessoas, a palavra solteira significa disponível, como se minhas escolhas se adaptassem às necessidades dos outros.
Vou relevar analfabetos funcionais que decidem discutir contigo mesmo em assuntos sobre os quais não têm nenhum domínio. Relevar os doutorados em Facebook e fakenews. Relevar a falta de interpretação de texto e a falta de amor no coração. Vou deixar para lá gente chata e sem imaginação, gente que leva tudo a ponta de faca e também que não te dá atenção. Gente que não tem reciprocidade, que só sabe receber, sem dar nada em troca.
Decidi relevar quem se escandalizou com obras de museus e não deu um pio sobre o senhor que foi condenado a 12 anos de prisão por pedofilia e vai assumir uma cadeira de deputado agora, no começo deste ano. Relevar quem vestiu verde e amarelo para protestar contra a corrupção, mas tossiu e olhou para o outro lado com a notícia de que a filha do Roberto Jefferson, condenada na Justiça do Trabalho por infringir leis trabalhistas, foi indicada pelo próprio pai para ser o quê? A nova ministra do trabalho.
Vou relevar as minhas própria falhas, minha indignação e minha recorrente preguiça. Vou anistiar minha ocasional falta de tato e também minha sensibilidade irritante, só não absolvo quem não se importa com ela.
Relevar tem como sinônimo desculpar, deixar para lá. O peso da mágoa, da ira e da decepção não vão fazer parte da minha vida em 2018. Eu consigo viver sob as minhas regras, sem dar mais importância do que devo às atitudes dos outros. Afinal, as consequências pertencem a quem deu causa ao ato, não a mim.
A palavra de 2018, provavelmente, não me fará mais combativa, mas com certeza mais feliz.

Veja outros colunistas

Ensine o seu filho a cuidar da saúde bucal

Reinaldo Zanotto

Reinaldo Zanotto

[ Leia mais ]

Algumas considerações

Eduardo Motta Caldieraro

Eduardo Motta Caldieraro

[ Leia mais ]

Potencialize o seu clareamento dentário

Reinaldo Zanotto

Reinaldo Zanotto

[ Leia mais ]