Nova Prata, 22 de Outubro de 2018

Respeito é bom e todos queremos

“Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo.” Esta frase é atribuída a Voltaire, filósofo francês que viveu no século XVIII, um dos precursores da Revolução Francesa. Foi defensor da liberdade de expressão e da tolerância religiosa, além da redução dos privilégios da nobreza e do clero – imaginem naquela época.
Não sei se ele realmente falou esta frase, eu não estava lá. Mas acho uma das sentenças mais válidas e necessárias nesses dias sombrios.
Cada um percebe e dá sentido ao que acontece à sua volta de acordo com as suas experiências e vivências. Se colocarmos dez pessoas a ler um texto, certamente cada uma das dez dará sua interpretação particular a ele. E possivelmente nenhuma delas estará completamente errada.
Eu posso não entender porque você pensa de uma forma em particular. Mas eu tenho que RESPEITAR a maneira como você pensa, como percebe a sua realidade. É a partir de tudo que acontece conosco que lidamos com e internalizamos nossas opiniões e opções. E isso funciona para tudo. As minhas escolhas na vida são feitas com base no que eu acredito, e eu vou ter que lidar com as consequências destas escolhas. Porque tudo tem o seu preço. Se eu escolho a luta, eu tenho que aprender a lidar com as derrotas, mas principalmente com as vitórias. Se eu escolho ser feliz, eu tenho que aprender a me desligar dos problemas menores, das pequenas aflições e do que me faz mal, mesmo que isso signifique abrir mão de bagagens desnecessárias.
Acredito que até nossa personalidade influencia na forma como vemos a vida e tomamos nossas decisões, e formamos nossa opinião. Pessoas sensíveis tendem a enxergar o mundo de forma mais branda, mais complacente. Pessoas práticas tomam decisões diretas, com precisão cirúrgica. E entre um extremo e outro, uma miríade de características que moldam o caráter e o pensamento. Nem todas boas, nem todas más. Características humanas. E às vezes, a sensibilidade traz força, e a praticidade pede um colo em algum momento.
E não é porque eu penso diferente de você que eu estou errada ou que você está errado, ou que um de nós não presta, que não sabe nada ou queira o mal do outro.
Eu prefiro conviver com alguém que pense diferente de mim, mas respeita a minha opinião, do que alguém que pense parecido comigo, mas queira impor goela abaixo dos outros a sua visão de mundo. As discussões te fazem pensar, te fazem avaliar e entender a posição do outro. Te fazem crescer, porque mesmo que você não mude de opinião, talvez consiga entender o que faz o outro pensar daquela maneira. Por mais que eu goste de uma discussão pegada, sempre vou pensar nos argumentos do outro na sequência. Já mudei de opinião algumas vezes, afinal não sou madeira e rocha, sou barro e água. Moldáveis, maleáveis.
Pense que mesmo nas épocas mais nefastas da humanidade, por mais que tentassem calar o povo, impor sistemas, dogmas e religião, as pessoas pensavam e sentiam, percebiam o mundo através de sua ótica particular. Se insurgiam. Assim caíram os grandes impérios. Na idade média, por exemplo, com certeza eu seria considerada uma bruxa. Seria queimada na fogueira. E mesmo assim, exterminar o teu corpo não significa quebrar a alma.

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