Nova Prata, 24 de Março de 2019

Coragem

Quando esta coluna for publicada, se tudo saiu conforme o planejado, estarei em Barcelona, na Espanha. Escrevo agora de Madri, sentada no hostel onde estou hospedada.
Até agora, estou encantada com tudo o que vi e vivi. Estive o tempo todo acompanhada de amigos. Primeiro em Lisboa e Cascais, depois em Coimbra e Porto, onde estes amigos queridos moram, me hospedaram e acompanharam, num carinho imenso, me apresentando lugares incríveis e contando muito da história de Portugal. São todos brasileiros que vivem na terrinha e todos muito curiosos. Fiquei impressionada com o tanto que já conhecem da história do país que escolheram para viver. Eu praticamente andei com guia particular até agora.
Já na Espanha, um deles voou para cá no final de semana e estava à minha espera quando cheguei. Infinitamente mais fácil estar com alguém que conhece o lugar e está ali para te orientar e ajudar. Mas agora eu sigo viajem sozinha. Toledo, Barcelona e Sevilha. Mesmo com toda a preparação psicológica e logística, confesso que tenho um pouco de medo. Maniática do jeito que sou, prevejo milhões de possibilidades. Tento me antecipar a qualquer percalço que possa acontecer.
Mas a vida é isso mesmo, imprevisível. Quando me dá aquele frio na barriga, penso em todas as pessoas que estão por aí, também se virando e metendo a cara, o pé na porta e a mochila na estrada.
Desde a viagem à Tailândia, onde vi muitas mulheres em voo solo, comecei a me preparar para encarar a aventura também, afinal, nem sempre as companhias batem com o que programamos e eu sou ansiosa demais para esperar. Ando com a bagagem o mais leve possível e repetindo o mantra de viver o presente, sem pensar muito, organizando um dia de cada vez. Como disse, nem sempre sai tudo como o programado, mas até agora saiu melhor do que o esperado.
Para muitos, pode parecer bobagem essa minha cautela e preocupação desmedidas, mas cada um reage da sua forma aos desafios que enfrenta. E para mim sim é um desafio passar os próximos dias sozinha, em terra estrangeira, viajando de um lado para outro.
Volto com milhões de fotos, mas o mais importante, uma experiência que ninguém me tira, nem se apaga. Com certeza, nenhuma foto retrata perfeitamente o sentimento dos olhos da alma. Curiosamente, dois dos lugares que me tiraram o fôlego, a Biblioteca Joanina, em Coimbra, e o Museu do Prado, em Madri, não permitem fotografias. A primeira, porque incomoda os morcegos que dormem durante o dia e circulam livremente durante a noite, comendo insetos que poderiam deteriorar os preciosos livros, alguns milenares. O segundo porque, óbvio, os flashes continuados deteriorariam obras de tirar o fôlego.
Essa semana, a coluna é pequena porque o tempo é curto e eu tenho que levantar muito cedo amanhã para ir à cidade murada de Toledo e voltar a tempo de pegar minha condução, à noite, para Barcelona.
Se tenho uma opinião para dar sobre o que aconteceu até agora? Sim. Se joga na vida e viva o presente. No andar da carruagem, quando você movimenta a roda do destino, as coisas podem te surpreender.

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