Nova Prata, 23 de Janeiro de 2021

2021 - passamos de fase?

E é isso, 2020 nos desestruturou, nos juntou, nos desestruturou de novo e não sabemos se vai nos rejuntar.
Sofremos, nos angustiamos, achamos que tudo estava voltando ao normal, e caímos. Caímos porque não aprendemos nada. A vida, o universo, a natureza, a ciência, te dá os sinais. Nós não aprendemos, não entendemos. Achamos que está tudo bem.

Terminamos o ano com todos os medos e angústias com os quais começamos. Enclausurados, isolados, tristes. Merecemos.

Eu cheguei a escrever, meses atrás, sobre como este ano atípico estava nos ensinando a ser melhores, a olhar para o que importa, reatar laços, desacelerar o ritmo. Mantenho uma parte, mas boa parte retiro. Não acho justo falarmos de consciência, gratidão, solidariedade e amor ao próximo quando temos 200 mil mortos a mais na conta deste nosso país. Além destes, os mortos em acidentes de trânsito, homicídios, feminicídios, tragédias em geral, mais o número normal de doenças e mortes naturais.

Não, 2020 não foi um ano bom, visto por qualquer ângulo. Quem pode achar isso olhando para os lados, vendo profissionais de saúde se matarem, literalmente, para cuidar de quem não está nem aí? E de quem se cuida e acaba contraindo esse vírus maldito de forma incompreensível, porque ainda não temos respostas!
Enquanto escrevo, acompanho nas redes sociais um compilado de milhares de festas muito, muito cheias pelo Brasil inteiro, do Norte ao Sul, do Leste ao Oeste. Muita gente junta, dançando, suando, cuspindo, dividindo copos, se encostando. E estas são as festas onde foi permitido permanecer com o celular, filmar. Quantas outras aconteceram por aí de forma clandestina?

Somos um dos países que não tem agenda programada para a vacina, que não instituiu um lock down efetivo quando necessário. Vários lugares do mundo multam, mandam as pessoas para casa, fiscalizam.
Aqui, a polícia quando muito dispersa aglomerações que vão se consolidar novamente em outro local. Neste caso, não é culpa da polícia, sabemos. Os covideiros ainda dão risada e postam fotos. E debocham de mortes e internações.

Não, definitivamente, 2020 não foi um ano bom. Mas também não é um ano que devemos esquecer, porque não podemos esquecer dos absurdos, dos descasos, da queda das máscaras.

Entrei 2021 preocupada com pessoas que eu gosto muito e não estão bem, seja física ou mentalmente. Sei que a mudança do calendário não vai fazer diferença, mas sempre acreditei na força do Universo, cada um crê no que quiser. E o ano que passou...ufa..foi o ano de Xangô, da justiça. Foi justo que tomássemos um susto com o ritmo acelerado que vivemos, da forma como banalizamos a vida, a fome, a miséria, a desigualdade. Tudo ficou mais exposto nesse ano que passou. Riquinhos se tratando nos melhores hospitais e pobres tendo direito a uma vala coletiva. É nisso que se resume a nossa sociedade, nestes tempos. E a importância do Sistema Único de Saúde (SUS). Da ciência, de políticas públicas inclusivas, da educação, de gestores competentes. Estamos vendo, neste nosso Brasil, tudo que não funciona.

Somos continentais, e do jeito que vai, seremos o último país a começar a aplicar a vacina. Ao menos na América Latina, esta é uma realidade. Venezuela já informou que começa a vacinação agora, no início de janeiro. E Cuba, além de aplicar nos seus, comprou e está oferecendo doses da vacina a países latino-americanos que não têm dinheiro para comprar. Pois é, para quem tinha medo que o Brasil se tornasse uma Venezuela, não precisa mais se preocupar...ficaremos para trás.
E se alguém me perguntar: sim, eu tomo a vacina da China, de Oxford, da Rússia, eu tomo ela na testa, se preciso for. E isso não quer dizer que no dia seguinte eu vou fazer uma festa para quinhentas pessoas. Eu respeito o tempo e a ciência.

Voltando para a espiritualidade, esse ano é de Oxalá, que é da paz. Mas por ser velho, traz também as doenças..então temos que estar atentos e fortes.

Mas eu me apego mesmo é no meu São Miguel Arcanjo, protetor da terra e guerreiro da luz. Como digo, cada um com as suas crenças. Que o seu raio azul celeste, espada e escudo nos proteja e a todos. E que o Pai Celestial, o de qualquer crença, nos perdoe a ignorância e a falta de respeito pela vida.

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