Nova Prata, 23 de Outubro de 2021

Sincretismo

Quando o mundo pesa demais nos ombros eu rezo. Rezo para Jesus, Maria e José, como Bethânia me ensinou.
E rezo para Iansã e Ogum Beira-Mar. E também Ossanha, que me dá passagem,
E rezo para Arcanjo Miguel e Mestra Nada, Mestre Hilarion do raio verde e Saint Germain do raio violeta, que é Paulo de Tarso, mais conhecido como São Paulo e, no fim, também é José. Como Iansã é também Santa Bárbara e Nossa Senhora Aparecida, Iemanjá, num sincretismo que eu poderia dedicar horas a falar.
Maria é sempre Maria, a mãe. A mulher que recebe todas as dores do mundo. Que chora a dor do filho morto, como tantas mães choram, e nela buscam consolo. Como Oxum chora na beira do rio.
E a oração mais forte e tocante é a oração para as mães: Maria, Oxum, Rowena ou Gaia. Porque é a oração do desespero, do desapego, é a oração que se despe de todas as coisas mundanas, para pedir ao divino que olhe para baixo, que enxergue seus filhos. Maria e Oxum e Rowena e Gaia entendem.
O poder de uma mãe nunca deve ser ignorado, se sobrepõe a todos os males, eu acredito! A força do amor nunca deve ser subjugada.
E o amor é a força propulsora de tudo. Do início ao fim. Nada vinga, cresce ou desenvolve sem amor.
Embora eu conheça alguns ateus que têm uma retórica bem coerente, os evolucionistas quase me convencem, com suas provas de Homo Sapiens, Homo Erectus, descendências e toda a questão das escolhas. De que talvez, o Deus que tanto tentamos entender esteja dentro de cada um e tudo o que acontece é fruto das nossas ações e reações. Faz muito sentido. Mas também aqui tuas escolhas são pautadas no respeito e, porque não, no amor.
Independente, eu sei que quando a coisa aperta, eu me socorro nas minhas crenças, no divino, com todas as minhas forças. E as pratico, também, da melhor forma que me é permitido.
Entre questões pessoais e coletivas que te assolam dia após dia, é bom ter um alento na espiritualidade, seja ela qual for. É conforto e força. É aquela sensação de que alguém olha por ti, mesmo sem ter essa certeza absoluta. O que te faz acreditar que alguém olha por ti? Olha ele de novo aí, o amor!
É a tua crença em algo maior, em seres quase míticos, quase divinos, que te fazem acreditar num Deus que manda anjos todos os dias, para viver entre nós. Aqueles que te cercam e não deixam a peteca cair. Aqueles que num abraço te transformam o dia.
E existem tantos que passam na nossa vida diariamente….que nos fazem um carinho sem que a gente perceba. Cada dia é uma luta e uma dádiva.
E de tempos em tempos, alguém passa e nos traz uma palavra de consolo, um sorriso, um abraço.
De tempos em tempos, fazemos isso por alguém, sem nem perceber. De tempos em tempos, alguém faz isso pela gente.
Precisamos, mais do que nunca, da fé, da oração, seja ela qual for.
Precisamos de amor, de amparo e de Deus, ou de coerência. Não de armas, não de guerras. Precisamos, mais do que nunca, como seres humanos, encontrar um equilíbrio, porque de caos e desgraças, de falácias e de ódio, as pessoas que eu acredito serem “do bem”, já estão fartas.
E se você acredita em qualquer religião, e não pratica, tudo bem. Basta não fazer e não querer mal a ninguém. Você já está no lucro. Porque a espiritualidade e as religiões no geral pregam a lei do amor e também do retorno. E os ateus, mais ainda. Afinal, para eles, toda ação tem uma reação.

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