Nova Prata, 22 de Agosto de 2019

Algumas considerações

Neste 7 de setembro de 2017 terão passado 195 anos da proclamação da Independência, razão, aliás, do feriado que muita gente nem sequer sabe porquê existe.
Desde lá, e como já havia ocorrido com a criação do império brasileiro (kkkk), tudo se deu de boa, sem tiro, sem sangue, sem nada de mais, a não ser, é claro, um acordo de elites, que envolvia, é claro, muitos baús de joias e dinheiro, que rumaram aos cofres ingleses, nossos fiadores até então.
D. Pedro I, hoje quase um personagem pop, era um bon vivant: não queria nada com aquilo, vivia mais de festas e mulherada, conseguidas pelo seu fiel escudeiro Chalaça, que de simples guarda-malas virou um dos homens mais poderosos do império, pela benevolência do nobre príncipe, que depois viraria o chefe da bagaça toda, o nosso Pedrinho I. Chalaça, aliás, teve dois predecessores, igualmente sujeitos ao espírito pouco afeito à nobreza de nosso “libertador”, que chegou até a vender os cavalos da Corte para ganhar seus trocados e poder presentear a quem quisesse.
De lá para cá, o Brasil veio assumindo essa característica muito mais de Chalaça, chegado a uma boa negociata, do que de nobre. Ele, aliás, após ser demitido do cargo, por ordem de D. João VI, recebeu o cargo de embaixador e, ao morrer, deixou uma fortuna quatro vezes maior do que a da Marquesa de Santos, a amásia do imperador. Portanto, mesmo sem fazer uma delação premiada, já que o Rei já sabia das peripécias de seu príncipe-herdeiro com o alcoviteiro, foi para Portugal bem melhor do que quando saiu, adotado pela quantia de oito mil cruzados por um amigo do pai, que também o cargo de ourives da Casa Real.
Como é que podemos ser um país sério, se na nossa história toda figuras como o Chalaça borbulham a toda a hora? PC Farias e Geddel são dois casos entre tantos, figuras sem importância alguma, mas que foram alçados ao centro do poder e de lá extraíram todas as benesses possíveis e impossíveis, vivendo à margem das decisões reais, mas agindo na sorrelfa, construindo um patrimônio absurdo e organizando as “orgias” para os chefes.
Como podemos ser um país sério, se tudo aqui se faz no acordo, no combinado, no pagamento? Tudo se faz com um povo hipócrita, que se deixa influenciar por uma mídia que adora os Chalaças, que lhes dá sempre uma beirada do mel com que se lambuza. Tudo se faz com um povo que se cala quando os mesmos de sempre parecem mais espertos do que canalhas, e gritam a plenos pulmões seu falso senso de decência para expulsar quem lhe parece inferior, sem direito a participar da democracia.
Enquanto isso, continuamos fazendo feriados. Bom, né?
Por hoje é isso!

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