Nova Prata, 17 de Outubro de 2019

Algumas considerações

Costumamos sempre nos referir ao problema atual como o pior de todos, mesmo que já tenhamos vivido situações semelhantes ou enfrentado algumas condições até mais adversas da que se apresenta no dia de hoje.
Talvez isso seja uma defesa do DNA humano, como que nos preparando com ainda mais força e intensidade para vencer as barreiras que a vida vai colocando a nossa frente com uma constância alucinante. Vencer obstáculos é um bom título para a história da vida de cada um de nós, os pobres mortais que não vivem em bolhas de proteção, sejam elas financeira, política ou de cargos que sempre ficam acima do bem e do mal.
Vendo, porém, a nossa história recente, por mais que episódios similares já tenham ocorrido num passado até mais ou menos recente, tenho a impressão de que estamos quase chegando ao fundo do poço. Digo quase porque nada está tão ruim que não possa piorar, como diz um dos fundamentos da Lei de Murphy, o livro de cabeceira de todos os pessimistas do mundo. Mas que desta vez está complicado, isso está.
Acredito que o principal problema agora seja a mais venal das desesperanças, que nos atinge de forma brutal. Acordamos sempre com uma sombra a nos perturbar e não com o ânimo renovado de quem acredita que hoje será melhor e que tudo irá para seu devido lugar, que as pessoas recomeçarão a construir seus destinos e não somente a consumir tudo o que fizeram até hoje para simplesmente sobreviver.
Estamos realmente sobrevivendo e não mais vivendo. Às vezes dá a impressão de que todos irão à falência, como se interessasse um país somente de necessitados, de empresários e empresas sem a menor coragem de acreditar que seus sonhos tem algum valor para o futuro e de trabalhadores apavorados não com o amanhã, mas com a possibilidade cada vez mais concreta de não ter comida para colocar à mesa.
Essa desesperança é resultado direto deste estado policial que vivemos – necessário em muitos casos, diga-se de passagem. Os governantes parecem totalmente dissociados da ideia de que são meros representantes da população, não seus algozes, encarregados de solapar as poucas possibilidades de melhora com aumentos inacreditáveis em combustíveis, energia elétrica, pedágios e outros instrumentos que eles encontram para arrecadar e manter privilégios e desperdícios. E se arvoram em dizer que diminuíram a inflação, num país com a economia na UTI.
Não sei onde iremos parar e temo que possa ser num porto escuro, com grandes ondas e ouvindo vozes de cegos a nos dizer onde é a saída.
Por hoje é isso!

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