Nova Prata, 14 de Dezembro de 2019

Algumas considerações

Na quarta-feira, dia 18, participei de uma entrevista na Rádio Ativa FM, juntamente com o Darli Golembieski e o Valdomiro Cortelini, e os mestres da comunicação Roberto Marangoni e Fidelis Pedro Preto.
Conversamos lá sobre a política nacional, passado um tempo do impeachment, e as ideias de cada um de nós sobre o complicado momento que o Brasil está passando. Passamos também pela polêmica das exposições de arte, que alguns consideram pornográficas e incitadoras da pedofilia e outros não.
Concordamos em alguns pontos, discordamos francamente em outros, mas conseguimos manter um respeito ao pensamento diferente, o que não vem sendo muito mais fácil de se obter. Creio que estando frente a frente as pessoas tendem a se respeitar mais, o que não acontece com as redes sociais, na grande maioria dos casos, e é sobre isso que queria fazer algumas observações, já que tivemos participações dos ouvintes do programa.
Um dos ouvintes perguntou o que tanto eu fazia na rádio. Na verdade não são tantas vezes assim, mas tudo bem. O que incomodou esse ouvinte foi o fato de alguém se propor a questionar a lógica corrente, lembrar do impeachment e suas consequências, trazer à tona para discussão a incoerência de quem bradava por ética e contra a corrupção e agora jaz inerte no sofá de casa.
Outro me perguntou se eu já trabalhei na vida. Na verdade, aqui há um preconceito contra quem trabalha em algo que não seja serviço braçal. Eu trabalho, sustento minha família, gero empregos e pago meus impostos devidamente. Se meu trabalho não me faz suar o dia todo, não significa que não seja tão digno quanto o de qualquer trabalhador, do mais simples ao mais qualificado.
Mas, no fundo, essas opiniões apenas descrevem uma parcela da sociedade que emburreceu de tal forma que não admite a existência de quem pense diferente e não tem argumentos para contrapor, batendo no peito as suas virtudes e esquecendo que estamos todos no mesmo barco, que por sinal está afundando a cada dia, com aumentos absurdos em preços controlados, enquanto as cúpulas continuam fazendo seus arranjos livremente.
Gosto muito de participar de programas de rádio, que acho o veículo de comunicação mais democrático de todos, e não deixarei de ir porque minha opinião incomoda alguns, que preferem não pensar e achar que virá o salvador da pátria, quem sabe vestido de farda e coturno, para impor a perda de liberdade para todos, com a desculpa de colocar a casa em ordem, coisa que não conseguimos fazer.
Eu não preciso de tutor para me dizer o que fazer com o meu país. Eu o respeito, luto por ele e confio em nosso amadurecimento para encontrar as pessoas certas para nos equilibrarmos novamente, sem que o povo pague toda a conta.
Viva a democracia!
Por hoje é isso!

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