Nova Prata, 20 de Junho de 2019

Algumas considerações

Será que todas as pessoas sabem o que se comemora em 15 de Novembro, feriado nacional?
Tenho certeza que não.
Acabei a pouco de ler um livro muito interessante, escrito pelo historiador Laurentino Gomes, com o título “1889 – Como um Imperador cansado, um General vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil”. Esse autor já tratou de outros fatos históricos nacionais, como a chegada da família real ao Brasil (1808) e a Independência (1822), contando uma espécie de lado B da história, os fatos que nos fazem compreender melhor o caráter nacional.
Em “1889 – (...)”, fica muito claro como as mudanças políticas acontecem no Brasil: alguém se sente injustiçado, conspira com quer o poder e, voilà, estão feitas mudanças que se vendem como a mais profunda aspiração popular, enquanto não passam de troca de mãos e golpes institucionais, com o uso da população como massa de manobra. Qualquer semelhança não é mera coincidência!
No caso da proclamação da República, o General Deodoro da Fonseca sequer era republicano, mas monarquista. Aceitou comandar o golpe porque o Imperador Dom Pedro II iria indicar como chefe do Conselho de Ministros um inimigo seu, o que o fez sair de sua cama, onde se encontrava enfermo (morreu no ano seguinte), e derrubar a monarquia. É bom lembrar que o Imperador sequer considerava esse movimento importante, tanto que, no tal 15 de novembro de 1889, estava em Petrópolis, seu local de repouso.
É assustador como a história se repete no Brasil, numa farsa constante de interesses políticos, apoiados pela plutocracia nacional, desde imemoráveis tempos. Vejam que um dos motivos para que um importante setor da agricultura nacional apoiasse a república foi o fato de que a primeira na linha de sucessão ao trono era a Princesa Isabel, que cometeu o sacrilégio de assinar a Lei 4353, de 1888, que acabou com a escravidão no país – fomos o último a fazê-lo. Hoje, ancorados em renegociação de suas dívidas, os integrantes do agronegócio apoiam um governo provadamente corrupto, pois só o que importa, é claro, é o próprio umbigo.
Talvez as pessoas não se lembrem das razões dos feriados históricos porque a visão oferecida é sempre a mais fantasiosa, de que havia razões importantíssimas e inafastáveis para as mudanças de rumo. Ou seja: o brasileiro não conhece a própria história, por isso permite que ela se repita muitas e muitas vezes. Além disso, nosso senso de nacionalismo beira o ridículo, misturado ao conceito que a CBF gerou, de que o Brasil é sua seleção de futebol e não seu povo.
Não nos assustemos com o golpe de 2016. Não será o último.
Por hoje é isso!

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