Nova Prata, 20 de Janeiro de 2018

Algumas considerações

O episódio da nomeação da deputada Cristiane Brasil, filha do presidente do PTB, Roberto Jefferson, é uma verdadeira aula de política brasileira.
Temer, interessado nos votos do PTB na reforma da Previdência, chamou o ex-deputado Roberto Jefferson, que tem poder na política desde que era da tropa de choque do presidente Collor, para uma reunião no Palácio do Planalto para tratar da indicação de um petebista para o Ministério do Trabalho. Vários nomes já tinham sido aventados, mas Roberto Jefferson definiu que sua filha seria ministra, para limpar o nome da família, já que ele é condenado pela Justiça e indultado por ter câncer.
Ora, nada mais óbvio que um político queira perpetuar a sua família no poder. Há uma mistura podre entre sobrenomes e votos que sempre acaba na formação de feudos eleitorais, alguns com mais de 100 anos, como é o caso do relator da denúncia contra Temer, Bonifácio de Andrada, cuja família é ligada ao poder desde o Império. E nesses tempos de cara de pau deslavada, pouco importou se a deputada tinha ficha limpa. Se ela votou contra no impeachment as duas denúncias contra o atual presidente não é o suficiente? Não era.
Cristiane Brasil é a típica deputada do baixo clero: vive nos bastidores, não fala muito, não apresenta projetos, mas engrossa um time de deputados que está sempre à venda, seja qual for o governo. Esses deputados, justamente por estarem longe dos holofotes, não se preocupam em ter uma vida limpa, fazem o que querem e quando querem, roubam salários de servidores, ignoram direitos trabalhistas e fazem do mandato um balcão de negócios, levando às bases uma parte do fruto de sua prostituição política, através de emendas e favores, o que lhe garante sucessivos mandatos.
O caso é que eles são verdadeiros seres das sombras, que não suportam a exposição ao sol, derretendo como velas acesas. Todos os seus podres surgem e eles precisam voltar aos fundos do Congresso. Porém, há agora uma questão de “honra” e o cargo já não pertence a Temer, mas a Roberto Jefferson, que não volta atrás em ver a filhinha ministra, mesmo com decisão judicial que, baseada no princípio da moralidade administrativa, por ter sido ela condenada no âmbito da Justiça do Trabalho, impede sua posse como ministra justamente do Trabalho.
E, com tudo isso, continua imperando um silêncio gigantesco, talvez porque de Temer e Roberto Jefferson não se espere outra coisa que não atitudes destas e eles hoje têm um poder quase absoluto, amparados por um Congresso apodrecido, um Judiciário quase sempre leniente e demorado e pela vergonha da população que os conduziu até lá, para satisfazer sua sanha em derrubar quem jurava jamais cometer qualquer ato ilícito, mas não conseguiu derrotar o sistema.
Outras Cristianes virão. Falta muito ainda.
Por hoje é isso!

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