Nova Prata, 17 de Setembro de 2019

Algumas considerações

No mesmo passo que os anos correm e as idades vão se sucedendo, bem mais rápido do que a gente gostaria, algumas mudanças vão acontecendo e algumas certezas vão se consolidando no jeito que a gente encara a vida.
As mudanças sempre são mais difíceis, embora muitas delas sejam bem vindas. Mudar é reconhecer que se estava fazendo algo errado ou pelo menos não tão certo assim. Claro que temos a tendência a julgar que acertamos mais do que erramos, mesmo que o conceito que as pessoas têm de nós não seja exatamente este.
Eu creio piamente que as pessoas procuram mais acertar do que deliberadamente errar. É típico do ser humano não querer entrar em arapucas do destino, embora algumas delas sejam quase invisíveis, quase imperceptíveis, e de repente lá estamos nós, atolados até o pescoço em um problema que começou pequenino, mas se transformou num redemoinho de boas intenções, sem qualquer resquício de coisa boa.
Quando a gente erra, e todos erramos cotidianamente, a gente se cobra muito mais do que os outros nos cobram, exceto os psicopatas de todas as espécies, que não tem empatia com nada nem ninguém e pouco se importam com as consequências de suas atitudes. Essas figuras, infelizmente em grande número, são aquelas que fazem da sociedade um lugar difícil de se viver, pois estão em muitas famílias, empregos, grupos de amigos, relacionamentos, e os transformam num desafio ainda maior do que normalmente já seriam.
As certezas que vão se consolidando são as que compõem o mosaico de nossa existência, são a nossa marca na Terra. Claro que não dá pra confundir certeza com teimosia, esta última alicerçada na incapacidade de reconhecer a certeza alheia. Ser teimoso é ensimesmar-se profundamente, ao ponto de não deixar uma porta aberta para que, ouvindo e refletindo, consigamos praticar a arte do diálogo, da troca de ideias e experiências, a possibilidade real de crescer como ente inteligente que, em tese, todos somos.
O aprendizado da vida está muito além dos diplomas. Está na capacidade de entender que todos somos passageiros e que o que fica de verdade é o que plantamos na alma dos que convivem conosco, dos que, igualmente passageiros, nos reconhecem como companheiros dessa benção que é viver, dentro do mesmo espaço/tempo, com toda a intensidade que isso pode ter.
Venho acumulando as minhas certezas, mas jamais fecho a janela de minha alma: quem, estando vivo, acha que já está pronto para tudo, esqueceu de viver.
Por hoje é isso!

Veja outros colunistas

Setembro Amarelo, mês de conscientização contra o suicídio

Aline Machado Larrosa

Aline Machado Larrosa

[ Leia mais ]

Nossa casa

Cíntia Bettio

Cíntia Bettio

[ Leia mais ]

Nossa casa

Cíntia Bettio

Cíntia Bettio

[ Leia mais ]