Nova Prata, 20 de Junho de 2019

Algumas considerações

Me pego com constância observando manchetes de notícias em jornais online que retratam a violência desmedida que passou a fazer parte de nosso cotidiano.
Dirão alguns que essas manchetes sempre existiram, com o que eu concordo. O que realmente me apavora é o fato de que essas notícias passaram a não espantar mais, a integrar aquelas informações que a gente apenas passa os olhos, sem se deter por mais tempo que o necessário.
O crime horrendo de ontem não importa mais, pois hoje há, em algum site ou rede social, um crime estalando de novo, igualmente cruel ou até mais, que faz esquecer os que passaram a ser apenas notícia velha, como se fossem fatos que não ocorrem com pessoas, mas com algum ser imaginário, que não vai sofrer por mais tempo do que aquele em que as pessoas dão atenção à notícia. Pena que não é assim.
Eu sou um leitor ávido por literatura policial. Se observarmos crimes brasileiros que entraram para a história, alguns deles parecem menos graves do que muitos do que acontecem hoje em dia. Febrônio Índio do Brasil, por exemplo, na década de 1920, até hoje considerado uma dos maiores assassinos do país, fez duas ou três vítimas, e ficou preso de 1935 até 1984, quando morreu em um manicômio judiciário. Hoje em dia não é difícil lermos notícias de chacinas de 14, 15 ou mais pessoas e os culpados, quando condenados, não ficam mais de 10 anos presos – Suzane Von Richtofen, depois de 17 anos presa, terá direito ao regime semiaberto, e Ana Carolina Jatobá, depois de 9 anos, terá o mesmo direito.
Será que nos importamos menos pela certeza da impunidade ou por que realmente estamos entrando nessa roda viva das informações instantâneas, que nos acumulam de tantas tragédias pessoais que nos obrigam a ir descartando-as, para abrir espaço para pelo menos ficarmos sabendo das mortes de mulheres e crianças, dos estupros de mulheres e crianças, da inata capacidade do ser humano em promover a barbárie contra seus semelhantes, impondo a todos um pânico quase que generalizado de que, de um momento para outro, a vítima será ainda mais próxima.
Está difícil de dizer que a vida realmente vale a pena, pois o esforço está muito maior em sobreviver e manter a cabeça acima desse nível dantesco de violência social do que em realmente construir um mundo melhor, em acordo com pessoas que, atualmente, estão escondidas em seus mundinhos, caladas, respirando devagar e em silêncio, enquanto deveriam estar bradando por mudanças, antes que seja tarde demais. Ou já é?
Por hoje é isso!

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