Nova Prata, 23 de Junho de 2018

Algumas considerações

O último evento do cinema americano, a entrega do Oscar, consagrou uma luta que vem sido movida pelas atrizes de lá contra o assédio e principalmente contra o silêncio das assediadas.
A vítima desses casos, além do terror que passa no momento da agressão, várias delas externadas pelas agredidas em depoimentos em redes sociais e outras até em processos cabíveis nesses casos, fica como que encarcerada em um mundo sombrio, pois quem sofre um estupro e se vê obrigada a silenciar, além de ter que conviver com o agressor e respeitá-lo como um membro superior da gestão do cinema mundial, deve sofrer imensamente.
Portanto, as manifestações que se viram na noite do Oscar, especialmente da ganhadora do prêmio de melhor atriz, Frances McDormand, reforçam a ideia de que a mulher precisa enfrentar com firmeza e atitude essa baixeza de homens que julgam estarem aptos a exigir de mulheres em busca de trabalho que se submetam sexualmente às suas taras e megalomanias, como se não bastasse ter talento, mas sim deixar seu corpo ser usado como moeda de troca.
Essa violência exacerbada contra a mulher, vista de longe como no Oscar ou no dia a dia de milhares de mulheres sem fama, é um paradoxo da própria existência, pois quem tem o dor de gerar vida vem sendo cruelmente abusada em seus direitos como ser pensante, o que não raras vezes acaba em subtração da vida, o que é o mais torpe dos crimes, e que gera consequências muita além da própria vítima, mas em seus filhos e demais parentes, igualmente dilacerados por suas perdas.
Vivemos uma hipocrisia muito grande nas comemorações para esta ou aquela parcela da sociedade, como o que ocorre no dia 8 de março, dia internacional da mulher. Digo que há hipocrisia porque muitos dos homens que cumprimentam mulheres pelo seu dia são agressores violentos no interior de seus lares, transformando a vida de suas namoradas, companheiras ou esposas, bem como de suas “ex” em um inferno diuturno, enquanto posam de bons cristãos aos olhos das demais pessoas.
Nenhuma homenagem pode ser maior às valorosas mulheres que participam ativamente da construção do mundo do que uma mudança radical na atitude daqueles que ainda não se aperceberam que a frase “por trás de um grande homem sempre há uma grande mulher” é o mais bem acabado exemplo do machismo imperante, que empurra a mulher para uma condição subalterna, de apoio, e não de alguém que, ouso dizer, faz muito mais pelo mundo do que nós, homens.
Eu tenho a graça de ter convivido e estar convivendo com grandes mulheres em minha vida, como minhas irmãs e minhas filhas, fora o fato de ter sido agraciado com uma mãe fora dos padrões, de tão entregue a sua missão de nos tornar cidadãos de fé e de luta. Além disso, observo muitos exemplos de mulheres em suas profissões que dignificam sua batalha diária com atuações que só me fazem ter certeza da superioridade de sua existência. Portanto, não posso deixar de louvar, nesse e em todos os dias, que o mundo só tem uma parte boa porque as mulheres existem: se fosse deixado a nós, já estaríamos todos lutando uma guerra a pau e pedras. Por hoje é isso!

Veja outros colunistas

Prótese sobre implantes ou prótese convencional?

Reinaldo Zanotto

Reinaldo Zanotto

[ Leia mais ]

Conversas com mamãe

Emir Rossoni

Emir Rossoni

[ Leia mais ]

Facetas de porcelana ou lente de contato dental, qual escolher?

Reinaldo Zanotto

Reinaldo Zanotto

[ Leia mais ]