Nova Prata, 28 de Setembro de 2021

Todos iguais, mas nós mais iguais que elas

No dia 08 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Sempre ouvi dizer que a data remete a um incêndio em uma indústria têxtil nos Estados Unidos em 1911, quando 130 mulheres morreram carbonizadas. Na verdade, a primeira comemoração ocorreu em maio de 1908, antes dessa tragédia, e foi um dos marcos da luta das mulheres por igualdade econômica que iniciara ainda no século XIX, na Europa e nos Estados Unidos. Entre lutas por direitos, greves, conferências internacionais e até uma grande manifestação, em 1917, organizada por costureiras de Petrogrado (hoje, São Petersburgo), com a participação de mulheres de soldados que lutavam na Primeira Guerra Mundial é que culminou com a comemoração do Dia Internacional da Mulher no dia 08 de março.

Quebrarei o enredo deste artigo, fazendo duas observações: 1) no parágrafo acima, eu fui repetitivo usando a palavra comemorar. Comemorar significa memorar em conjunto. Lembrar em conjunto. Então, apesar de nos restringirmos a apenas um dos significados dessa palavra, pode-se também comemorar algo ruim. 2) essa manifestação promovida por mulheres, na Rússia, em 1917, teve duas reinvindicações, o direito a receber o suficiente para comer e a volta dos soldados que lutavam na Guerra. Esse protesto ficou conhecido na história como Pão e Paz. Observem que não se protestava por usar ou não máscara. Não se protestava por reinvindicações supérfluas e/ou hipócritas, protestava-se pelo direito à comida e à família.

Em março de 2000, quando iniciei a graduação em engenharia civil, uma emissora de televisão foi à minha sala fazer uma reportagem sobre a participação das mulheres no masculino curso de engenharia civil. De 42 vagas, as meninas (hoje, mulheres) ficaram com 12. Então, 30 homens e 12 mulheres. Parece pouco, mas naquele ano foi um marco, visto que a média de mulheres nesse curso, nos anos anteriores, variava entre uma ou duas. Não me lembro de minhas amigas sofrerem preconceito dentro do curso, ao menos entre nós, graduandos. Pelo contrário, minha turma sempre foi, paradoxalmente, homogênea e diversificada.

 

Sei que no trabalho elas sofreram e sofrem preconceitos. Por mais que isso venha diminuindo, ainda é latente a falta de igualdade de direitos que as mulheres sofrem. Quando trabalho ao lado de uma profissional, sei que a jornada dela é maior que a minha. Tenho ciência de que ela trabalhou mais do que eu, para estar ali.

 

Mas, hoje, não escrevo para falar de igualde de direitos, lutas, feminismo ou machismo. Chega de sufixo “ismo”, principalmente, extremismo. Estou aqui para reconhecer que as mulheres têm muito mais energia do que os homens. Tomo por base, minha empresa e minha casa. Na maior parte das vezes eu sou a principal engrenagem que faz minha empresa e minha casa progredirem. Em outros momentos, minha esposa é essa engrenagem. A grande e principal diferença é que quando estou esgotado, eu me deito no sofá e fico mudando de canal até que todos que estão na sala percam a paciência e saiam. Já quando minha esposa está esgotada ela: prepara a janta; arruma a mesa; lava as roupas; prepara o lanche das meninas para o dia seguinte; corrige os temas; verifica os mantimentos; faz orçamentos; sorri; fala com a família; chora; paga as contas; reclama; lava as louças; agradece; inicia a mistura do almoço do dia seguinte; e, ainda, tem energia antes de dormir.

Então, mulher, parabéns por você ser mulher. E, por favor, continue sendo mulher porque a humanidade depende disso.

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