Nova Prata, 01 de Agosto de 2021

Acima de tudo o amor — parte 3

Acima de tudo o amor — parte 1

Acima de tudo o amor — parte 2

Paulo Prata havia passado os últimos meses se convencendo de que seu sonho havia acabado. Construir um hospital e tratar os pacientes com dignidade, proporcionando o melhor tratamento possível, enquanto não tivesse condições melhores, foi apenas uma das grandes etapas vencidas. Para manter o hospital, com o mesmo propósito durante anos, eram intermináveis guerras diárias. Após se conformar com a venda, ouvir subitamente de seu filho, Henrique, que o sonho seria mantido, foi uma surpresa que talvez o desconcertou em sua reação. Ainda mais a iniciativa partindo do próprio Henrique, que dizia querer “botar fogo” naquele poço de engolir dinheiro.

Mas, para Henrique, ouvir um médico dizendo que seu trabalho poderia salvar vidas foi tocante. Aquele foco de luz acendeu algo em Henrique. Mesmo com a negativa de seu pai, ele insistiu em não só manter o hospital, mas também seguir com todo o projeto elaborado pelo Doutor Paulo ao longo de anos. O Hospital São Judas Tadeu (Hospital do Câncer) tinha capacidade para 30 pessoas, mas recebia 150 “e uma parte ficava na rua mesmo, recebendo a quimioterapia”. Henrique solicitou a Paulo que pegasse aqueles projetos. Aqueles projetos de um grande hospital para tratamento oncológico. Aqueles projetos que Henrique viu, por anos, seu pai desenvolvendo.

Paulo Prata foi cauteloso. Para não dizer que não e, tampouco, sim, exigiu de Henrique que comprovasse condições financeiras para que o projeto fosse executado. No mesmo dia, Henrique convocou um primo (fazendeiro) para ajudá-lo e saíram em busca de quatrocentos mil dólares. A filantropia do hospital já era conhecida em toda a região. Eles procuraram os fazendeiros com quem tinham contato, explicavam o projeto e pediam, a cada um, dez mil dólares para iniciar a construção do primeiro pavilhão de um grande hospital. O primeiro intimado a ajudar foi o próprio primo Maurício de Paula Jacinto. A grande maioria dos fazendeiros ajudou imediatamente. Alguns disseram que ajudariam quando constatassem a construção em andamento.

 

Resumindo em poucas palavras um grande esforço e dedicação, Henrique comprovou a seu pai que conseguiria pôr o projeto em execução e assim o fez. Construiu o primeiro pavilhão, e copiando uma ideia que conhecia dos hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein — que davam às construções o nome das famílias árabes ou judias que ajudavam financeiramente —, o primeiro pavilhão foi batizado de Antenor Duarte Villela (avô de Henrique). Próximo ao final da construção, aqueles fazendeiros (São Tomé) que esperaram ver a construção para ajudar, também compareceram. Dentre eles, José Cutrale que ajudou com cem mil dólares.

Mesmo com a construção do primeiro pavilhão, ainda assim, havia muito trabalho. Na verdade, ainda havia todo um complexo hospitalar a ser construído. E é justamente aí que entram em cena nossos artistas brasileiros. Na conhecida Festa do Peão de Barretos, após um show, a dupla Chitãozinho e Xororó não conseguia permissão para decolar do aeroporto de Barretos, que já estava fechado. Henrique procurou o responsável pelo aeroporto, que era seu amigo, e disse: vou pedir ao Chitãozinho e ao Xororó que ajudem nosso hospital. Se eu conseguir, você abre o aeroporto para eles? A resposta foi: é óbvio que sim! Henrique procurou o empresário da dupla e disse: se você me der dois minutos com eles, eu abro o aeroporto. O empresário conseguiu que Chitãozinho ficasse para falar com Henrique. Após falar de toda a trajetória do hospital e de como precisaria da ajuda da dupla, Chitãozinho respondeu a Henrique que falaria com Xororó, mas que a ajuda já estava garantida. Contudo, a dupla não permitiria que colocassem seus nomes no segundo pavilhão e explicou: o que uma mão dá, a outra não precisa ficar sabendo.

Mas isso não era o que Henrique queria. Ele queria justamente que a propaganda com a exposição do nome da dupla atraísse outros artistas a fazerem o mesmo. Henrique insistiu e convidou a dupla a conhecer o hospital. Data marcada, visita realizada e Chitãozinho e Xororó não só ajudaram financeiramente na construção do segundo pavilhão como também atraiu artistas como: Sérgio Reis, Leandro, Leonardo, Xuxa, Gugu, Ivete Sangalo, Zezé Di Camargo, Luciano e inúmeros outros que não cabem nesta página.

Com muito trabalho, fé, dedicação e ajuda, o projeto foi sendo executado e ampliado. Quer saber o que eles construíram e o que fazem hoje? Escreverei no próximo artigo!

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