Nova Prata, 05 de Fevereiro de 2023

Não se priva!

Aos treze anos de idade, a pequenina e meiga Jhulia Rayssa Mendes Leal entrou para a história do esporte brasileiro sendo a atleta mais nova a competir em uma olimpíada. E ela foi além! Conhecida como “A fadinha do skate” por ter um vídeo viralizado quando ainda tinha 8 anos e exibia manobras sobre um skate vestida de fada, ela entrou para a história do esporte olímpico sendo uma das dez atletas (entre homens e mulheres em todo o mundo) mais jovem da história a ganhar uma medalha olímpica.
Cativante, delicada e brincalhona são alguns dos adjetivos que denunciam a sua pouca idade, pois ela ainda é uma criança, mas também mostram a grandiosidade de um atleta de ponta que consegue fazer o país se unir em uma torcida uníssona. O capacete, obrigatório para ela devido sua pouca idade, parecia não a incomodar durante as provas. Tão pouco a calça, de comprimento ideal, mas de pregas na cintura provocadas pelo aperto do cinto em um corpo de 35 quilogramas. Durante a semifinal e final da competição (skate street), a nordestina Rayssa dançou, brincou, torceu por suas amigas (dentre elas, seu ídolo, Letícia Bufoni), aplaudiu suas rivais, etc. Não sei explicar se ela não tinha a exata noção do que estava acontecendo ou se por ser uma grande atleta não sentia toda a pressão de participar de uma final no maior evento esportivo do mundo.
Tudo começou quando o pai de Rayssa a presentou com um skate. Um skate dado a uma guria de seis anos. Poderia ter sido uma casinha de boneca, uma bicicleta com rodinhas, luvas de boxe ou um smartphone. Talvez ela tenha ganhado todos esses itens (ou não, face às condições financeiras da família naquela época). De qualquer forma, ela não foi privada de conhecer o skate.
Também não se privou de conhecer a música funk, a ginasta Rebeca Andrade. Em uma de suas apresentações ao som da melodia da música “Baile Funk” de MC João, Rebeca deu um show no Centro de Ginástica de Ariake. Um show! Tão pouco vou me privar de conhecer, ao menos um pouco, sobre a religião do jogador da seleção olímpica Paulinho (Bayer Leverkusen) que após marcar um gol contra a Alemanha, fez um gesto como se atirasse com arco e flecha. No exato momento, eu achei, em uma análise pobre de conhecimento, que era uma homenagem aos índios. Porém, explicado pelo próprio atleta, candomblecista, trata-se de uma homenagem ao seu guia, Oxóssi, orixá caçador.
Em nosso país temos a maior e mais rica festa de carnaval do mundo. Cada detalhe em uma única fantasia é repleto de significados, é composto de uma riqueza cultural que somente conseguimos entender quando não nos privamos de aprender. Falando em carnaval, após o gesto de Paulinho, o atleta foi convidado a desfilar, em 2022, pela escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, que terá o enredo “Batuque ao Caçador”. Talvez esteja aí uma oportunidade de eu abrir um pouquinho o leque do conhecimento.
Educação, arte e/ou esporte podem revolucionar a vida de uma pessoa. Aliás, podem fazer mágica na vida de uma nação inteira. Uma mágica tão grande que uma única fada não seria capaz de realizar.
Rayssa: obrigado pela sua conquista. Além de estarmos carentes de bons ídolos, necessitando de boas referências. O seu mérito veio repleto de oportunidades.
Neste texto, o emprego do artigo indefinido “um” foi justamente para designar de modo impreciso, ou seja, contemplando todos os atletas (homens e mulheres) de todos os esportes.

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