Nova Prata, 23 de Outubro de 2021

No escurinho do cinema...

Nenhum bom profissional toma decisões sem antes dispor do máximo de informações possíveis! Esta afirmação é válida para qualquer seguimento, qualquer área de atuação. Aliás, nem precisa ser profissional, basta ter um pouco de bom senso.
Médicos não falam em prognósticos sem antes verificar os resultados de todos os exames pertinentes. Um engenheiro não iniciará a construção de um imóvel sem obter ensaios (laudos) da resistência do solo naquele local. Partindo para exemplos mais simples: você não irá vender o seu carro sem antes se informar sobre o atual valor de mercado. Alguns irão consultar a tabela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), outros acessarão sites especializados, consultarão amigos e revendedores. Analisarão informações sobre a aquisição do novo carro como o preço do seguro; o custo de manutenção; o valor de revenda; etc.
Ter as informações não significa que você poderá alterá-las, mas proporcionará as melhores ações a partir de então. Voltando aos exemplos: um médico não irá receitar remédio para gases e prisão de ventre tendo a informação de que se trata de patologia cardíaca. O engenheiro não irá propor fundação radier em um solo de alta resistência. Você não irá vender seu carro por valor abaixo do que ele vale para comprar outro pagando mais caro do que o valor de mercado. Simples assim.
As informações, pesquisas, estatísticas são utilizadas em larga escala nos setores privados, mas, também, nos públicos. No Brasil, temos vários institutos responsáveis pelas coletas e compilações de informações. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é o órgão responsável por gerar as informações necessárias que vão nortear as ações do Governo Federal. Ou melhor, o IBGE é o instituto que gera as informações que deveriam ser usadas pelo Governo Federal. É com as informações do Censo Demográfico que as políticas públicas devem ser promovidas para: geração de empregos; melhora nos índices educacionais; ações em saúde, segurança, previdência, etc. etc. etc. No Brasil o Censo é realizado a cada dez anos. O último foi em 2010. Em 2020, devido à pandemia, não foi realizado. Em 2021, nosso Governo Federal trabalhou com unhas e dentes para a não realização, cortando 96% da verba destinada. Quer saber o motivo? Então, imagine, antes da próxima eleição presidencial, o eleitor ter as reais informações do atual status da população brasileira.
O Brasil vive hoje a mais intensa seca de sua história. De acordo com José Marengo, coordenador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), “a era de extremos do clima já é realidade no Brasil”. O impacto direto desta seca ocorre na produção de alimentos e geração de energia. Vários fatores são responsáveis por essa atual situação. Há fenômenos climáticos como os efeitos da La Ninã, mas também a intervenção direta do homem, como: desmatamentos descontrolados.
A informação desta seca é conhecida e sabida, pelo Governo Federal, desde outubro de 2020. Com base nesta importante informação, quer saber quais as ações nosso Governo Federal tomou? Nenhuma. Ou melhor, na área de geração de energia, foram duas: 1ª) Sem embasamento técnico, acabou com o horário de verão, que apesar de pouco atenuar o consumo de energia, poderia gerar economia de R$ 500 milhões ao consumidor; 2ª) Criou a estatal Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBpar), sem divulgar o custo e número de cargos.
Estímulo à produção de energia solar; campanhas para utilização racional de água e energia e isenção fiscal para produtos alimentícios afetados pela seca são as mais básicas ações que deveriam ter sido empregadas. A inércia de nosso atual Governo Federal, apenas neste quesito, promoverá, ainda mais, a alta da inflação com o inevitável aumento dos custos da energia elétrica e dos alimentos, atingindo no alvo o bolso da população de baixa renda.
Agora, pasmem: se nosso Governo Federal tivesse se preparado para uma retomada de crescimento pós-pandemia, como fizeram inúmeros outros países, não teríamos energia suficiente.
Acabou de ler o artigo? Então, apague a luz!

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