Nova Prata, 03 de Dezembro de 2021

A culpa é nossa

Qual é a idade de seu filho?
Se a resposta for a que o enquadre na geração que com dois, três ou quatro anos de idade, ele já estava com um celular na mão: preocupe-se!
Conforme resultados de pesquisas do Instituto Nacional de Saúde da França, dirigida pelo neurocientista Michel Desmurget e publicada, também, no livro A Fábrica de Cretinos Digitais, pela primeira vez, filhos têm Quociente de Inteligência (QI) inferior ao dos pais. Desmurget expõe que não é possível determinar o papel específico de cada fator, incluindo por exemplo a exposição precoce a pesticidas. Contudo, o estudo reporta de forma conclusiva a relação direta do baixo desenvolvimento cognitivo com o aumento do tempo de exposição às telas (videogames e smartphones).
Não se pode negligenciar ou mesmo ir de encontro aos benefícios promovidos pela “revolução digital”. A partir de determinada idade é inevitável, e até necessário, que o estudante usufrua de softwares para o desenvolvido de seu aprendizado. O mesmo se aplica aos professores, como excelentes ferramentas complementares ao ensino. Contudo, quando não há disciplina na utilização, geralmente as crianças e adolescentes optam pelo entretenimento, ou seja, “usos recreativos empobrecedores”. Desmurget ressalta ainda que na adolescência há “um frenesi de autoexposição inútil nas redes sociais”.
Nosso cérebro pode ser comparado a uma massa de modelar. Quando nova (ou seja, quando criança), ela é maleável e fácil de esculpir e, com o passar do tempo, vai endurecendo, perdendo a plasticidade. É justamente no período mais fértil que não estamos nutrindo a inteligência de nossos filhos. Atividades que alimentam a construção do cérebro como leitura, música, arte e esportes estão ficando cada vez mais “fora do cardápio”.
Não raro, aliás, amiúde, vejo mães colocando o celular na mão de uma criança como forma da criança “deixá-la em paz”. O smartphone foi substituído pela chupeta (também chamada de bico em determinadas regiões). Não há exagero meu em dizer que o celular virou uma espécie de “Prozac infantil”. Até mesmo em restaurantes é comum eu observar a criança passar todo o tempo do almoço assistindo um desenho pelo celular enquanto que, vez ou outra, o pai ou a mãe leva a comida à boca da criança, sem nem perceber que o desenvolvimento motor de seu filho está sendo suprimido.
Falta de relações interpessoais, perturbação do sono, distúrbio de concentração, impulsividade, sedentarismos, ansiedade dentre outros indícios, estão sendo negligenciados por nós (pais). Sem qualquer resquício de surpresa, o Jornal Brasileiro de Psiquiatria publicou um estudo reportando sobre o “crescimento significativo da mortalidade por suicídio entre os adolescentes no Brasil.”
Desmurget é taxativo: “simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento.”

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