Nova Prata, 03 de Dezembro de 2020

Exercício físico e diabetes

De acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SDB), a Diabetes Mellitus (DM) não é uma única doença, mas um grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos que apresenta características comuns, como a hiperglicemia, resultante de defeitos na ação ou na secreção de insulina ou em ambas.
O Ministério da Saúde afirma que existem dois tipos de diabetes mais frequentes: o diabetes tipo 1, anteriormente conhecido como diabetes juvenil, que compreende cerca de 10% do total de casos, sendo o resultado da destruição imunomediada de células betapancreáticas, com consequente deficiência de insulina; o outro, diabetes tipo 2, conhecido como diabetes do adulto, compreende cerca de 90% do total de casos e caracteriza-se por defeitos na ação e na secreção da insulina, bem como na regulação da produção hepática de glicose.
A SDB afirma que uma epidemia de diabetes mellitus está se propagando. Atualmente, estima-se que a população mundial com diabetes seja da ordem de 387 milhões e que alcance 471 milhões em 2035. Cerca de 80% desses indivíduos vivem em países em desenvolvimento, onde a epidemia tem maior intensidade e há crescente proporção de pessoas acometidas em grupos etários mais jovens.
Para a Associação Americana de Diabetes, a prática regular de atividade física é indicada a todos os pacientes com diabetes, pois melhora o controle metabólico, reduz a necessidade de hipoglicemiantes, ajuda a promover o emagrecimento nos pacientes obesos, diminui os riscos de doença cardiovascular e melhora a qualidade de vida. Assim, a promoção da atividade física é considerada prioritária.
Inicialmente deverá ser realizada uma consulta médica, também se faz necessário um atestado de liberação para prática de exercício físico. O ideal seria que o aluno realizasse um teste de esteira ou teste de esforço, realizado por um profissional capacitado (Médico Cardiologista).
O American College of Sports Medicine 2010 recomenda realizar ao menos 30 minutos de exercícios por dia e no mínimo 3 dias por semana, com volume total de 150 minutos por semana.
Alguns cuidados devem ser necessários para prática de exercício físico, como controle da glicemia e pressão arterial pré e pós-treino, acompanhamento constante da frequência cardíaca. O uso de calçados adequados é muito relevante neste quadro. Por isso é de extrema importância o acompanhamento de um profissional de educação física habilitado.
O exercício é capaz de promover a melhora da função vascular, com diminuição das complicações provocadas nas microcirculações (retinopatia, nefropatia, etc) e auxilia na redução da incidência de eventos cardiovasculares. Além do que, causa redução direta e indireta da resistência à insulina, gera melhoras no perfil lipídico e minimiza a presença de ácido graxos livres. Não bastasse, o exercício tem a capacidade para diminuir o tecido adiposo visceral, modificando também padrões de secreção de adipocinas.
Qualquer tipo de exercício físico pode ser realizado, desde que seja respeitada a individualidade biológica do indivíduo e os cuidados especiais para a prática de atividade já citados. A mudança do estilo de vida é um fator expoente que inclui dieta e exercício físico.
Referências Bibliográficas: AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. ACSM’s Guidelines for Exercise Testing and Prescription. 7th ed. Baltimore: Lippincott Williams & Wilkins, 2006.
MINISTÉRIOS DA SAÚDE (MS). Secretaria de Atenção Básica à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Diabetes mellitus. Cadernos de Atenção Básica. n. 16; 2006.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES (SBD). Tratamento e acompanhamento do diabetes mellitus. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes; 2006.

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