Nova Prata, 20 de Junho de 2019

Discurso oficial

Costumo dizer que as verdadeiras razões atrás dos acontecimentos históricos são muitos mais simples, e viscerais, do que os discursos oficiais. O ser humano, e os seus governos, postulam envernizar suas ações através de belas intenções.
Pense na própria “descoberta” do Brasil. Os portugueses se lançaram no oceano desconhecido na tentativa de encontrar uma rota alternativa para a Índia. Eles queriam, na verdade, os sabores exóticos das especiarias, como a pimenta-do-reino e o cravo-da-Índia. Ou seja, na real, eles queriam comer melhor em uma época na qual o acesso aos temperos, coisas tão simples nos dias de hoje, eram capazes de diferenciar os senhores feudais dos simples camponeses. A justificativa oficial, porém, trazia a expansão do Cristianismo como um dos motes principais para tais aventuras.
O mesmo ocorreu com as Cruzadas, comandadas por reis católicos nos primeiros séculos dos anos 1000. Os movimentos militares pretendiam, oficialmente, garantir o controle católico sobre as regiões da Terra Santa. Nos bastidores, entretanto, os que se lançavam nessa arriscada jornada desejavam tão somente os tesouros e as riquezas das cidades muçulmanas, com o objetivo de construir o seu próprio paraíso na Terra.
Nos tempos mais recentes, as desculpas se concentram em “levar” a democracia aos povos. Especialmente àqueles que tiverem alguma riqueza, como o petróleo. Os Estados Unidos são mestres nessa arte. Não se preocupam muito com os reis sauditas e seus regimes fechados, mas não suportam outras ditaduras que não atendam aos seus interesses envolvendo o ouro negro. Por trás disso, está a nossa dependência desse produto e os confortos que ele pode proporcionar, como os combustíveis necessários para que nos desloquemos dia e noite para os nossos compromissos.
No fim das contas, grandes movimentos da humanidade não passam de consequências em função de atender desejos e instintos básicos, como uma alimentação mais saborosa, ou de satisfação do ego, na busca de dinheiro e riquezas. Na engrenagem da mente e, principalmente, do poder se constroem as narrativas oficiais necessárias para os pequenos e grandes golpes no jogo da vida.

Poeta do Rock
Faz 20 anos que o Brasil perdeu um dos maiores gênios da música: Renato Russo. O lendário vocalista da Legião Urbana já nos deixou fisicamente há duas décadas, mas as letras de suas composições, impressionantemente, continuam atuais para os jovens de idade e de espírito. Atuais para uma nação que ainda tenta desvendar “que país é esse?”, que luta para que adolescentes encontrem outros caminhos que não sejam os mesmos de João de Santo Cristo. Renato Russo e suas letras ainda traduzem sublimemente as angústias e as emoções de várias gerações. Esteja onde estiver, obrigado Renato!

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