Nova Prata, 17 de Setembro de 2019

Dias melhores

Talvez seja um pouco tarde para escrever para o Papai Noel. Se bem que o destinatário desse pedido nem mesmo é ele, pois o “bom velhinho” pouco poderia fazer para que o meu desejo seja atendido. Pensando bem, o melhor receptor para essa mensagem é você mesmo que está dedicando um pouco do seu precioso tempo para ler essas minhas linhas. O que eu quero para esse ano que se descortina é que nós consigamos valorizar as coisas boas, as atitudes, ações e pensamentos capazes de fazer deste um mundo melhor.
Logo no primeiro dia da faculdade de Jornalismo, aprendi que a notícia não é quando o cachorro morde o homem, afinal isso é corriqueiro, mas, sim, o contrário. Porém, estou farto de ler, ouvir e assistir sobre fatos que dão a impressão de que a humanidade está condenada, por si própria, a um triste fim. Confesso que há algum tempo aboli do meu dia-a-dia os telejornais, assim não sou obrigado a deglutir, juntamente com o almoço ou o jantar, “temperos” nada agradáveis, como mortes de não sei onde por atentado terrorista ou da mãe que foi assassinada ao buscar o filho na escola.
Prefiro o bom e velho jornal que me permite a liberdade de acompanhar aquilo que me interessa, deixando de lado aquilo que não estou muito a fim de saber. A internet, quando bem escolhidas as fontes, também auxilia nessa filtragem. Mesmo assim, ultimamente, está difícil de fugir das notícias ruins. Abro uma página que fala da crise econômica, na outra estão as demissões recordes, mais adiante, por mais rápido que eu folheie, os olhos identificam um homicídio aqui, outro crime acolá, sem contar o deprimente noticiário político, do qual se tem a impressão de que não há alternativas.
Por isso, nesse ano, gostaria de poder acompanhar mais notícias sobre o que dá certo, sobre o lado humano do ser humano. Redundante, né. Mas é artigo que parece cada vez mais raro. Quero saber mais sobre um grupo de amigos que se uniu para ajudar um imigrante com dificuldades, quero saber mais sobre o funcionário da rodoviária que devolveu o envelope com o dinheiro de um passageiro esquecido, quero saber mais sobre aquela pessoa que doou a medula para um completo desconhecido pelo mais puro e sincero amor ao próximo.
Quero mais do cotidiano que a gente não valoriza tanto quanto deveria. Desejo ver mais filhos voltando sãos e salvos depois da balada; pais abraçados e cuidados por seus filhos quando as complicações da implacável velhice chegarem; professores que desafiam os inúmeros obstáculos para estimular os estudantes no aprendizado acadêmico e de vivência. Quero saber menos das coisas ruins e mais das coisas que fazem nosso coração bater mais acelerado e feliz.
Enfim, desejo que tenhamos a capacidade de valorizar o que vale a pena, a fim de que não percamos as esperanças em dias melhores. Como diz a letra daquela música da banda Jota Quest: “Vivemos esperando / dias melhores / dias de paz / dias a mais / dias que não deixaremos para trás”.

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