Nova Prata, 17 de Setembro de 2019

Falimos?

O questionamento não é no sentido estritamente financeiro. A cada dia que abro o jornal, tenho mais a impressão de que caminhamos convictos para o abismo. O Estado, enquanto organização da sociedade, está em colapso. Arrecada, e cada vez mais, e retorna pouco ou quase nada para a população.
A começar pela segurança pública, que deixou, outra vez, os gaúchos e gaúchas pasmos diante da 25ª vítima de latrocínio, na semana passada, apenas na capital Porto Alegre. A representante comercial Cristine Fagundes foi assassinada quando buscava os filhos na escola, desnudando uma situação caótica que nos faz temer a cada saída de casa.
Até mesmo nos pequenos municípios da região, que antes eram ilhas de tranquilidade comparando com os grandes centros, estão sofrendo uma crescente onda de crimes. Em Veranópolis, por exemplo, em pouco mais de um mês, aconteceram cinco assaltos à mão armada em estabelecimentos. O pior é verificar que essa violência começa a naturalizar-se. Pouco adiantam as câmeras e segurança privada quando o sistema de segurança pública não dispõe de estrutura para fazer a sua parte.
Em Fortaleza (CE), finalmente caíram os números de homicídio, apesar de ainda serem alarmantes. Nos primeiros sete meses deste ano foram registrados 591 assassinatos contra 948 do mesmo período do ano passado. A razão? O Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e o Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro, instalaram-se na capital cearense, substituindo as gangues locais no comando do tráfico de drogas e acertaram um acordo de paz!
Completando o cenário falimentar, o novo governo federal, que assume o poder em meio a um controverso processo de impeachment, propõe “melhorar” o país a partir de cortes de recursos em setores fundamentais como saúde e educação. Não vejo como podemos caminhar para frente quando o Programa Nacional de Combate ao Analfabetismo é suspenso, bem como o ProUni, Fies e Pronatec são reduzidos. Não creio que o problema do país passe pelos valores aplicados na manutenção do Sistema Único de Saúde (SUS), exemplo mundial de assistência universal apesar de seus inúmeros percalços.
Agora vem aí a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que pretende limitar o crescimento dos orçamentos de Saúde e Educação à inflação do ano anterior durante duas décadas. Como podemos recuperar o tempo perdido nessas áreas ao engessá-las? Enquanto o Estado brasileiro oferece migalhas à população, os banqueiros arrotam à mesa. Somente no ano passado foram gastos R$ 367,7 bilhões com os juros da dívida. Para o Ministério da Educação, neste ano o valor total é de R$ 34 bilhões.
Enfim, não existem soluções mágicas para problemas de séculos. Mas quando o Estado, através de seus três poderes, não consegue oferecer estruturas mínimas em Segurança, Educação e Saúde, algo de muito errado está acontecendo.

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