Nova Prata, 03 de Dezembro de 2021

Quanto custa uma retroescavadeira para uma cidade do interior, pequena, pouco representativa e sem voz?

Bem, nesta cidade, vamos dar o nome fictício de “Perdida no Mapa”, tem uma Prefeitura. Metade dos moradores trabalha no serviço público, tem meia dúzia de vereadores e como o restante do Brasil, está quebrada. A outra parcela da população desempregada ou trabalha em um mercadinho ou “lojinha”. “Perdida no Mapa” depende, lógico, de ajuda do governo central. Central porque tudo é centralizado por lá e é preciso pedir para eles. Centralizado também ficam os recursos, sabe né? É de lá que o dinheiro do Zé Povinho é repartido, para distribuir a ele mesmo. O chamado dinheiro público, a verba. Mas o que isso tem a ver com a retroescavadeira? Explico.

Ela custa R$ X, mas vai sair R$ 3X.

Assim como o asfalto para a estradinha de chão e tudo mais que “Perdida no Mapa” precisa para atender os serviços públicos. Sabe porque? Pois o sistema doente, cruel e absurdo, que nenhum Bozo, Nhonho ou os milicos, ou esquerda, direita e muito menos centrão e nem os milhares de detentores de cargos públicos querem mudar, faz com que sem dinheiro, um prefeito gaste diária e passagem para chegar até um gabinete em Brasília e mendigar para os ilustres parlamentares uma emenda. Esse recurso público que está lá em Brasília, saiu do bolso do seu Zé, morador de “Perdido no Mapa” em forma de impostos, que são a fonte de recursos para os serviços públicos, mas que precisam de aval ou dependem da lua do assessor que atendeu o vereador, passou para outro assessor de orçamento ou chefe de gabinete, que apresenta toda exigência burocrática para se conseguir a tal retroescavadeira ou o que for para o município, pode ser um veículo para a polícia ou uma ambulância.

Ainda é preciso aquela conversa ao pé do ouvido da autoridade para ver se a “lua” está para o lado do município e que pode ajudar lá na reeleição do parlamentar, não é?! Rola uma foto, uma matéria nas redes para dar aquele destaque e render likes ao nobre parlamentar, para quem conseguiu a verba, para quem foi pedir, mendigar e quem buscou no Ministério. E meus amigos, tudo isso, até a foto, as redes, os assessores que fazem o “meio de campo” e o impulsionamento para comprar seguidores, tudo vai deixando a tal retroescavadeira mais cara para o seu Zé Povinho lá de “Perdido no Mapa”.

 

Ou seja, esta máquina que custa R$ X, no serviço público sai R$ 3X porque o sistema não gasta somente com Leite Moça para a “Tropa de Elite”. Gasta o seu rico dinheiro para jogar nas redes até frase besta do tipo #TMJ ou #UnidosPeloBrasil.

 

O custo Brasil só vai mudar quando não houver mais partido, cargos e gente querendo voto e oferecendo cabide de empregos. Ou seja, na prática não precisaria existir Brasília e o custo Brasil seria beeem menor para o pobre Zé Povinho, que paga essa conta. Brasília tem lá os seus “Reis Loucos” brigando, sua Tropa de Elite se matando e a Nobreza Estatal ganhando seus salários com sua infinita “burrocracia”. “Mas você sabe que sempre foi assim e até já fostes servidora?” Diriam ozamigue (grupo de WhatsApp) e a torcida do Grêmio e Inter. “O que tá escrevendo aí?”.

Bem, estou contando, do meu jeito lógico, como um prefeito de uma cidade que não posso revelar, recém eleito, que me ligou para pedir uma informação, revelou a sua frustração ao perceber que até para conseguir arrumar os buracos da cidade “Perdida no Mapa” precisa e depende de Brasília (Distrito Federal) e se deu conta da fria em que se meteu. “Bah, achei que seria mais fácil, mas sou oriundo da iniciativa privada e não sei ser puxa-saco e tão pouco vivia de política. Tem que ser mendigando atenção e verba. Desconheço o pessoal da nobreza estatal e nem tenho a quem pedir favor”, me disse. Eu só lembrei a ele... que fevereiro, aquele povo está preocupado mesmo agora em garantir a atenção dos eleitos para presidirem a Câmara do Congresso, vão ter que “agradar” e fazer o seu lobby na busca de seus interesses. E bem, não se enganem, é Carnaval, ponto facultativo! Dá a eles a autorização para seguir com a “farra das viagens”, já que a folia está suspensa com a pandemia.

Na iniciativa privada, Zé Povinho, por certo, vai estar correndo atrás do prejuízo para garantir o pão de cada dia e o imposto para manter a rica Nobreza Estatal. É Zé Povinho, têm muitos que dizem que foi o “auxílio emergencial” e a covid-19 que quebraram o Brasil. Nada, foram as corporações e todos que contribuem para o cruel sistema da Nobreza Estatal e seus parças. É por isso que muitos não gostam da imprensa. Porque ela não está aí para jogar Leite Moça para o povo se lambuzar, mas sim para dizer ao Zé Povinho quanto do dinheiro dele adoça a Tropa de Elite para manter o sistema.

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