Nova Prata, 14 de Dezembro de 2019

- em Entrevista

A força do trabalhador no campo

Protásio Alves
A força do trabalhador no campo
A força do trabalhador no campo /

“Eu sempre morei no interior e gosto muito do serviço que desempenho”, destaca Nair Salete Cappellaro Bolzan, 54 anos, moradora da comunidade Campo Alto, que durante toda a sua vida trabalhou no interior.
- Os meus pais foram da roça. Eu casei com Ademar Bolzan há 36 anos e continuei na profissão de agricultora. Já plantei fumo, soja e milho e fui até extratora de basalto. Nos últimos anos trabalhava com produção de leite, mas devido problemas de saúde, precisei encerrar no ano passado essa atividade que desenvolvi durante 18 anos. Sou mãe da Andressa e do André, mas nenhum deles quis continuar na propriedade, optaram por outro ramo profissional - ressalta.
Entusiasmada, fala sobre as exposições que participava.
- Sempre cuidava muito bem das vacas, dava banho para elas quando ia nas exposições em Veranópolis e em Carlos Barbosa. Esses eventos me deixavam muito feliz - destaca.
Conforme ela, o produtor enfrenta muitas dificuldades e os jovens optam por morar na cidade e trabalharem com carteira assinada pelas garantias oferecidas.
- Quem trabalha na agricultura não tira férias, não possui finais de semana e feriados e o horário é diferente do trabalhador do comércio. Não temos garantia de salário no final do mês. É preciso contar com outros fatores, como os climáticos, e esses influenciam diretamente no resultado da safra. Não é o produtor rural quem coloca preço no seu produto. O leite, por exemplo, quando há aumento, sentimos apenas no mercado, pois o trabalhador possui pouco acréscimo - explica.
Nair destaca que gosta de todos os serviços que desempenha no interior e que sente-se realizada pela sua profissão.
- São esses trabalhos que desenvolvi durante a minha trajetória, foi o que aprendi a fazer. Me sinto feliz - enfatiza.
Além de agricultora, Nair é vereadora também. Está no seu primeiro mandato.
- Sempre gostei muito da política. É preciso ter coragem, pois é um grande desafio, mas tem sido uma bela experiência. A Câmara de Vereadores de Protásio Alves é muito unida, pensa no povo, nós trabalhamos pelas pessoas e não por um partido ou outro, visamos o bem do município - fala.
Os dois principais projetos que ela teve participação enquanto vereadora foi a solicitação de perfuração de um poço e a proposição para asfaltamento de seis quilômetros de Campo Alto até a comunidade Argentina, ambas obras já concretizadas.
Nair, que também faz parte do Conselho Fiscal do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Protásio Alves há seis anos, considera essa função muito importante, além da relevância da entidade para a comunidade.
Sobre o avanço da tecnologia, Nair enfatiza que esta ajudou muito os produtores rurais, pois as atividades deixaram de ser totalmente manuais como eram antigamente. Conforme ela, torna-se um estímulo para fazer com que os jovens permaneçam na propriedade rural.
- Apesar de algumas dificuldades que passei ao longo da minha vida, nunca tive motivos para desistir. Já passei por dez cirurgias e nunca desanimei, sempre segui trabalhando - menciona.
O marido de Nair, Ademar, destaca que “o retorno financeiro para o produtor rural não é aquilo tudo que esperamos, há poucos incentivos, mas dá para viver. Me criei no interior e sou muito realizado e feliz com o meu trabalho, pois acaba gerando alimento para outras pessoas”, finaliza.

Galeria de Imagens
Nair ao lado do esposo, Ademar
Nair ao lado do esposo, Ademar
Nair recebeu no ano passado o Certificado de Vereadora Destaque
Nair recebeu no ano passado o Certificado de Vereadora Destaque