Nova Prata, 14 de Dezembro de 2019

- em Entrevista

“Mudei de profissão e estou muito feliz!”

Nova Prata
arquivo pessoal
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“Intensidade é a minha palavra favorita. Não penso muito, apenas vivo”, essa frase é de Mayara Mazzotti Rosa, 39 anos, casada com Jorge Eliezer da Silva Rosa há oito anos e mãe da Maria, quatro anos. Mayara decidiu deixar a sua vida profissional de lado e acompanhar o seu marido, que é caminhoneiro.
- Sou formada em Relações Públicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) e atuei por 18 anos na área, em um veículo de comunicação local . Em janeiro desse ano, por questões particulares, decidi acompanhar a minha família na estrada. O meu marido é caminhoneiro há oito anos e sempre viagei com ele nos períodos de férias - explica.
Mayara destaca que a decisão aconteceu depois de uma grande reflexão.
- Coloquei na balança aquilo que mais importa na vida: a minha família - frisa.
Ela fala também das principais dificuldades que são enfrentadas pelos profisisonais dessa área.
- As estradas sem manutenção, o risco de assaltos, poucos lugares de apoio aos motoristas e despesas com custo elevado, além da precariedade de lugares para as necessidades pessoais. Nem sempre o tratamento dado ao motorista e à sua família são adequados. Eu mesma já passei por situações de constrangimento por não poder utilizar o banheiro - revela.
Mas também trata dos pontos positivos após a sua escolha.
- Estou tendo a oportunidade de conhecer cada região, cultura, culinária, clima e o mais legal, tenho contato com pessoas de todo esse rico país, ao lado de quem amo e com liberdade de decidir horários para trabalhar. A minha filha de quatro anos está conhecendo tudo isso e aprendendo que dinheiro nenhum proporciona esses simples momentos. Eu e o meu marido estamos passando para ela os verdadeiros valores de humildade, honestidade e caráter, pois na estrada se você não tiver essas qualidades, não vai muito longe - ressalta.
Ela faz também uma avaliação sobre a sua escolha.
- Creio que nada nessa vida acontece por acaso. Ocorreram muitas situações ruins, que me levaram a tomar essa decisão. A minha vida profissional foi muito importante, porém mais relevante ainda é poder acompanhar e participar do crescimento da minha filha. Além disso, conhecer muitos lugares do Brasil, um país tão rico em diversos fatores, e ter a possibilidade de aprender a cada viagem realmente não tem preço. Existem também os dias difíceis, mas tudo tomo como aprendizado. Em cada conversa que tenho com motoristas, com outras famílias, profissionais da área e até mesmo com aqueles que chegam, por algum motivo, pedindo ajuda, tiro grandes lições. Estou aprendendo diariamente, cresci como pessoa e hoje sei que sou apenas mais uma em meio a tantas que buscam o melhor em suas vidas - enfatiza.
Jorge explica que há oito anos trabalha como motorista de caminhão. Durante os três primeiros anos dirigia caminhão truck e depois, como motorista de carreta na empresa Tapparo, de Nova Bassano.
- Inicialmente, dava preferência para viagens mais próximas, nos estados de Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo, pois queria estar mais seguido em casa, com a minha família.
Com o passar do tempo e adquirindo mais experiência, fui ampliando as rotas com viagens para o Norte e Nordeste, caminhos que faço até hoje, pois como a minha família me acompanha, não tenho motivos para estar seguido em casa - relata.
Jorge explica que no começo foi muito difícil, pois percorria o país somente com um mapa e a coragem. “Cada dia mais amo a minha profissão”.
Ele trabalha em uma empresa catarinense que atende o Nordeste no ramo de carnes.
- Temos a certeza que além de trabalharmos em uma empresa, é uma família,
pois considera muito os princípios familiares e é isso que nos incentiva a cada dia continuar e gostar dessa difícil profissão - finaliza Jorge.

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