Nova Prata, 14 de Dezembro de 2019

- em Entrevista

Diminuição de duas cadeiras e do salário dos vereadores

Dilso Cassol na redação do Jornal Correio Livre
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Nova Prata - Frente popular defende o corte de duas cadeiras e a diminuição do salário dos vereadores.
O projeto busca igualar o salário deles com o dos professores da rede municipal. Hoje, o salário bruto de um vereador é de R$ 3.516 e conforme o projeto, o valor passaria para R$ 1.541,66, uma diferença de R$ 1.974,34.
Números da economia com a redução dos salários: diferença de R$ 1.974,34 multiplicado por 11 vereadores resulta em R$ 21.717,74/mês, multiplicado por 48 meses (quatro anos de mandato), somaria uma economia de R$ 1.042.541,52.
Números da economia na redução de duas cadeiras no Legislativo: salário bruto de um vereador hoje é de R$ 3.516, multiplicado por duas vagas resulta em R$ 7.032/mês, multiplicado por 48 meses soma o montante de R$ 337.536.
Somadas a redução dos salários e as duas vagas a menos no Legislativo totaliza uma economia de R$ 1.379.987,52 em quatro anos.
O que motivou Dilso Cassol a fazer parte dessa iniciativa da frente popular é que ele, quando assumiu duas vezes como suplente de vereador, percebeu que existem atividades parlamentares desnecessárias. Ele relata que há reuniões de comissão sempre anteriormente às sessões onde são discutidos e debatidos os projetos que vão para votação e quando os mesmos são colocados em pauta para votação, muitas vezes, os vereadores pedem vista ou até mesmo baixam ele para análise em outras comissões, o que acarreta na demora para votar questões urgentes.
Dilso acredita que as viagens em busca de verbas federais e estaduais teriam de ser centralizadas no prefeito, que é o principal representante eleito pela população.
- Ele possui mais influência e poder para pedir verbas e não os vereadores. Isso iria reduzir bastante as diárias pagas mensalmente - explica.
Relata que 11 vereadores geram muitos debates prolongados, poucos resultados na maioria das vezes e em alguns casos somente para votar poucos projetos.
- O vereador não pode ser uma pessoa diferenciada da sociedade, tem que ser igual a toda população, pois se está ali é para trabalhar em prol da comunidade. Vereador tem o papel de fiscalizar o que acontece com o dinheiro público, levar adiante as demandas da população e transformar essas questões em lei, como por exemplo, criar uma lei para ter placa de pare, quebra-molas e roçada em um determinado bairro. Existem situações que apenas com uma ligação tudo se resolve, que não precisariam passar pela Câmara de Vereadores, isso teria que ser resolvido direto nas Secretarias de Obras ou de Planejamento Urbano do Poder Executivo. O vereador tem o poder de cobrar e exigir essas demandas diretamente com os secretários das pastas, assim tornando as ações mais efetivas do que ocorrem hoje em dia, sem burocracia e sem demora para os resultados finais - enfatiza.
Outras cidades com o mesmo número de habitantes tem nove vereadores. “Nova Prata precisa se adequar a esse número, estamos somente fazendo o movimento inverso e se adequando aos demais municípios”, relata Dilso.
A redação do jornal Correio Livre entrou em contato com a Câmara de Vereadores de Nova Prata para buscar informações sobre a data de alteração do número de cadeiras no Legislativo e foi informado que a Lei Orgânica foi alterada em 2011, passando de nove para 11 vereadores com aprovação unânime dos edis. A primeira sessão foi no dia 06 de abril de 2011 e votaram: André Antônio Nedel, Adelar Lorencet, Cezi Lourdes De Nardi Peruzzo, Eraldo Domingos da Silva, Vanderlei de Matos, Flávio Antônio Sartori (in memorian), Gilmar Peruzzo, Luciane Maria Bristot e Paulo Cezar Girardi Ferreira). A segunda sessão para aprovação aconteceu no dia 11 de maio do mesmo ano, com votação pelos mesmos vereadores.
- Para evitar que o projeto seja rejeitado por parte dos vereadores da atual legislatura, a frente popular organizou outro abaixo-assinado via referendo que precisa de, no mínimo, três mil assinaturas para ser aprovado como uma vontade popular e se tornar uma lei obrigatória-mente. É uma economia expressiva de R$ 1.379.987,52 em quatro anos. Dá para fazer muitas obras em benefício da população ou colocar remédios nos postos de saúde e também tem o objetivo de evitar, no futuro, a falta de recursos para pagamento de salário dos servidores - frisa.
Essa ação popular também tem como objetivo chamar a atenção da população para que tenha mais interesse, que se envolva com a política, que busque se preocupar com o que ocorre dentro do município.
- Não adianta a gente reclamar de Brasília ou do nosso Estado se não nos preocuparmos com o nosso município. O projeto está leve, a ideia em um segundo momento será de proibir vereadores que se elegem, de assumirem secretarias no Executivo, finaliza Dilso.
De acordo com alguns vereadores da época, houve uma mudança no Congresso que permitia até 11 vereadores de acordo com o número de habitantes.