Nova Prata, 17 de Outubro de 2019

- em Entrevista

Quelvin e Kethlin: o amor de irmãos através da doação

Nova Prata
Mãe com os filhos
Mãe com os filhos /

Um menino de 14 anos, uma doença e o amor de uma família unida. Essa é a história de Quelvin Hoffmann Minozzo, que tem leucemia.
A doença foi descoberta no dia 21 de setembro de 2015, dias antes do jovem completar 11 anos.
- O Quelvin tinha sangramentos nasais frequentes, mas o irmão mais velho dele e o tio também possuem, então isso não me preocupava muito. Com o tempo, começaram a aparecer manchas roxas pelo corpo, mas como é menino e gostava de jogar futebol, também foi uma questão que não levei muito a sério. Além desses sinais, ele tinha muito sono e dor nas pernas. Em uma segunda-feira, ele sentiu-se mal e o levei para o plantão do Hospital São João Batista (HSJB), imaginando que ele faria um soro e seria liberado na sequência. Mas naquele momento estava começando uma longa batalha em nossas vidas. A médica me chamou para conversar e disse que ele estava com suspeita de leucemia. Era preciso de um leito na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) de Bento Gonçalves. Quando a médica relatou isso, fiquei sem entender o que estava acontecendo e ainda enfatizei: o meu filho veio caminhando para o hospital, ele está dando risada, não pode ser algo tão grave. Mas era. Como eu morava em Protásio Alves, uma conhecida minha conversou com o secretário de Saúde do Município, que rapidamente conseguiu um leito para o Quelvin. De Nova Prata, fomos para Bento Gonçalves, onde ficamos um dia e depois o meu filho foi transferido para a oncologia pediátrica de Caxias do Sul. Foi realizada biópsia e o resultado sairia somente na sexta-feira, mas como tudo indicava que realmente era leucemia, a quimioterapia foi iniciada ainda na quarta-feira - explica a mãe, Zelinda Hoffmann.
Depois de 19 dias internado, Quelvin recebeu alta pela primeira vez.
- Quando ele foi diagnosticado com a doença, os irmãos dele passaram a pesquisar sobre o assunto, os tratamentos e o que era preciso fazer, pois eu não tinha muito conhecimento sobre essa questão. Depois da primeira internação, íamos para Caxias do Sul de duas a três vezes por semana, pois ele tinha que fazer exames e realizar quimioterapias. Esse processo aconteceu durante dois anos. No ano passado, em maio, foi realizada nova biópsia e a medula estava negativa para a doença. Parecia que as questões estavam sendo normalizadas, o meu filho estava estudando e desempenhava normalmente as suas atividades. Mas não sabíamos o que ainda viria - relata.
Em janeiro desse ano, o Quelvin estava com fortes dores. Preocupada, a mãe levou ele para consultar. Os resultados dos exames de sangue foram ótimos, mas a ressonância, sugerida pela própria mãe Zelinda, mostrou células cancerígenas nas juntas do corpo.
- A internação do Quelvin tornou-se necessária novamente, mas uma médica de Caxias do Sul disse que não a faria, pois o resultado dos exames de sangue era bom e que a ressonância deveria ser refeita, pois provavelmente estava havendo um equívoco. Ele estava com muita dor e praticamente não saía da cama. Sabendo que algo não estava bem com o meu filho, resolvi procurar outra médica, que realizou outra ressonância e de quem obtive a seguinte resposta: “precisamos correr contra o tempo agora, pois a doença é grave” – ressalta a mãe.
Quelvin internou novamente no dia 25 de janeiro, onde permaneceu durante uma semana fazendo tratamento com protocolo alemão. Em abril, foi realizado o exame de compatibilidade entre os irmãos para a realização do transplante de medula, onde foi constatado que Kethlin, de 19 anos, é 100% compatível.
Um dos momentos mais complicados que a família enfrentou aconteceu em agosto. Quelvin precisou fazer 75 horas diretas de quimioterapia e isso diminuiu muito a sua imunidade. Nesse momento, ele contraiu uma bactéria no pulmão.
- Ele precisou ficar 18 dias internado na UTI, em coma induzido. Esse momento foi muito delicado e difícil. Mais complicado do que quando recebi a notícia da leucemia, mas eu sabia que ele iria sair de lá, pois as quimioterapias nunca o derrubaram – frisa a mãe.
- Eu quero que tudo dê certo e acredito que assim será. Estou muito confiante com o meu transplante. O que mais quero voltar a fazer nesse momento é andar de bicicleta e sei que em breve vou conseguir. A última vez em que estive internado em Caxias do Sul foi quando percebi que a questão realmente é séria - fala Quelvin.
- Estou muito feliz em poder ajudar o meu irmão - relata Kethlin, a irmã doadora.
Zelinda destaca que a doença deixou a família ainda mais unida.
- Como sou separada, pensava muito em trabalhar para não deixar faltar nada aos meus filhos. Com o tempo, a rotina corrida fez com que fôssemos nos afastando, não dedicando momentos para uma simples conversa em família. Depois da doença, passamos a nos reunir mais, conversamos mais e resolvemos as questões sempre em conjunto. Acredito que tudo o que acontece em nossas vidas há uma justificativa e no nosso caso penso que foi para unir ainda mais a família. Tenho muita fé em Deus. O Quelvin é um menino iluminado e em vários momentos é ele quem nos dá força - menciona.
Zelinda explica que a cirurgia de transplante deve acontecer em outubro e faz um pedido especial para as pessoas.
- Não tenham medo de serem doadores de medula óssea. A doação é um gesto de amor e pode salvar muitas vidas. É necessário dar esse alento e esperança para quem passa por um momento tão difícil - finaliza.

 

Matéria e fotos: Renata Grzegorek / CL

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