Nova Prata, 05 de Junho de 2020

- em Entrevista

Entrevista com o bombeiro Barato

“A consequência sempre é a crítica, além de não poder desempenhar um trabalho de qualidade para a nossa comunidade”
Marcelo Barato
Marcelo Barato /

A redação do jornal Correio Livre conversou com o bombeiro Marcelo Barato, que também é técnico em segurança do trabalho e integra a corporação dos Bombeiros Voluntários de Nova Prata.


1) Quantas famílias e quais comunidades necessitam da distribuição de água que está sendo feita pelos Bombeiros Voluntários?
Por parte dos Bombeiros Voluntários, desde dezembro do ano passado está sendo transportada água para praticamente quase todas as comunidades do interior de Nova Prata que estão sendo afetadas pela estiagem. As comunidades do Retiro, São Caetano, Santa Terezinha, Capela da Saúde, São Luiz (Finca Ferro) e parte da Fazenda Pratinha.
Famílias abasteciam as suas casas com uma fonte de água e outras tinham poços que atualmente não estão dando vasão e acabaram secando. Tenho 26 anos de profissão e tenho feito uma avaliação, de que esta é a pior estiagem de todos os tempos.
Lembro que em 2005 transportamos água e depois em 2012, mas não com tanta intensidade como nesta estiagem que estamos enfrentando. Há muitas comunidades no interior que as pessoas expandiram as suas atividades e propriedades, como por exemplo a criação de gado. Atualmente, há a mesma quantidade de água que existia há 10 ou 15 anos, porém aumentou o consumo devido aos produtores terem ampliado os seus trabalhos.


2) Há quanto tempo essa ação vem acontecendo? Há uma média de quantos litros são distribuídos semanalmente?
Geramos mensalmente um relatório de transporte da água para a Corsan, para eles tomarem conhecimento. Até o momento, os Bombeiros Voluntários e a Prefeitura já distribuíram mais de 320 mil litros de água.
Temos duas situações. Nós, dos Bombeiros, temos um caminhão que transporta quatro mil litros de água, somente potável, não coletamos águas de rios e açudes e tem também a Prefeitura, que possui duas caminhonetes que estão levando água para o interior.
Em dezembro de 2019 foram transportados 64 mil litros de água potável para as comunidades do interior pratense. Em janeiro, foram 56 mil litros; em fevereiro, 52 mil litros; em março, 24 mil litros; e em abril, 60 mil litros, totalizando 256 mil litros de água transportados somente pelos Bombeiros Voluntários. Já a Prefeitura, no mês de janeiro, transportou 8,4 mil litros; em fevereiro, foram 3,6 mil litros; em março, 16,4 mil litros; e em abril, 44,8 mil litros, totalizando 64,8 mil litros.


3) Onde é feita a captação dessa água?
Possuímos, há muitos anos, um hidrante dentro da corporação e fazemos a recarga sempre ali.


4) O Corpo de Bombeiros de Nova Prata possui quantos caminhões? Quais as consequências disso quando há duas ocorrências em um mesmo momento?
Atualmente, temos três caminhões Auto Bomba Tanques (ABTs), onde um está sendo reformado, por ser o mais antigo, de 1966. Juntos, totalizam 11 mil litros de água que podem ser transportados.
A consequência sempre é a crítica, além de não poder desempenhar um trabalho de qualidade para a nossa comunidade, que sempre foi uma das nossas preocupações. Sempre esbarramos na quantidade de pessoas necessária. Conforme a Lei, deveria ter seis pessoas por quartel de bombeiros, mas isso para nós é inviável pelo fato dos recursos que temos.
Recebemos uma verba de R$ 13 mil através de um termo de fomento com o Município para manter três bombeiros e mais os custos da manutenção de toda a estrutura, como combustível, água, luz, manutenção do prédio e dos veículos, que são antigos, mas estão com a manutenção em dia e são eficientes para a nossa realidade. Hoje, todos os prédios já possuem sistema de prevenção contra incêndios, como hidrantes e extintores, então dificilmente teremos problemas que não conseguiremos solucionar.


5) Quais as principais dificuldades encontradas pela entidade?
Sempre foi referente aos recursos, pois as pessoas não tem ideia ou visão de quanto custa para se manter um bombeiro e o recurso recebido é utilizado para pagar salários e manter a estrutura, além disso, os equipamentos são muito caros.
Através do Fundo Municipal para o Serviço de Bombeiros (Funrebom) foram comprados no mês passado Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como capas, capacetes, botas e macas, entre outros, mas são equipamentos muito caros, custa entre R$ 5 mil e R$ 7 mil para equipar apenas um bombeiro hoje.
Temos necessidades de mais materiais e estamos pleiteando para buscá-los, como o desencarcerador, e outros equipamentos que aos poucos iremos adquirir.


6) Quantos integram a corporação e quantos atendem diariamente?
Trabalhamos atualmente com três pessoas efetivas e 25 bombeiros voluntários que passaram por uma formação, um treinamento com 360 horas. Na primeira parte, são repassados conhecimentos sobre a prevenção de incêndio e depois sobre a questão de resgate e atendimento das vítimas. Somente após o curso de formação que a pessoa estará apta para trabalhar como voluntário.
Logo que passe essa onda de pandemia estaremos reativando o programa do Bombeiro Mirim, recrutando crianças entre 08 e 13 anos. Isso já é uma reivindicação antiga dos vereadores. Nas escolas, fizemos um trabalho preventivo com crianças menores, através de palestras e treinamentos como evacuação de área de risco, entre outros.


7) Mais alguma colocação?
Nós estamos abrindo uma nova turma de voluntários, cerca de 50 pessoas já inscritas, depois de formada essa turma iremos abrir novas inscrições.
Muitas pessoas acham que ser voluntário é poder ir quando quer. Sempre informamos que a pessoa, depois de ser voluntária, tem que se fazer presente no mínimo uma vez por semana e realizar plantões noturnos. O treinamento dos voluntários é gratuito e depois de um tempo ganham uniforme.
Para as crianças não queremos limitar o número de participantes, desejamos abranger mais e desenvolver um trabalho junto às escolas com elas, pois sabemos que poucas tiveram instruções de primeiros socorros, de como proceder e como chamar os bombeiros.