Nova Prata, 28 de Março de 2023

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A dificuldade de enfrentar a fome e o frio

O jornal Correio Livre entrou em contato com a secretária de Assistência Social, Janaína Casanova, para indicar famílias que enfrentam as dificuldades da fome e também do frio.
Família deixou a Bahia para morar no Sul, mas enfrenta as dificuldades dos dias gelados
Família deixou a Bahia para morar no Sul, mas enfrenta as dificuldades dos dias gelados /

Nova Prata - Nos aproximamos da época do ano que divide opiniões: os que adoram o inverno e os que detestam dias com temperaturas baixas. O fato de gostar ou não do frio é uma opção sua, mas sentir frio ou fome infelizmente não é uma escolha para algumas pessoas.

Essa é a realidade de Jeferson Fernando Gaiger, 26 anos, Débora Taís Rodrigues dos Santos, 27, mãe de Cristofher Davi Rodrigues Machado, seis anos, e Estefany Rodrigues Machado, quatro, moradores da linha Bento Gonçalves. Ambos desempregados, sobrevivem através do auxílio de pessoas de bom coração que fazem doações.

- Não temos trabalho e as doações são fundamentais para amenizar a nossa situação. Se não fossem elas, passaríamos fome e frio, pois além de alimentos, recebemos roupas e cobertores também. O Cristofher estuda na Escola Reinaldo Cherubini, no bairro Retiro, e como as aulas presenciais não estavam acontecendo em decorrência da pandemia, eles destinavam alimentos para as famílias que necessitavam - destaca Débora. A redação do jornal Correio Livre conversou com a família na quinta-feira, 27 de maio, e naquele dia eles não tinham almoçado.

- Ontem, o Jeferson fritou uns bolinhos de arroz, mas terminou o gás. Não temos dinheiro para comprar um. Hoje, nós dois não comemos nada e os meus filhos almoçaram os bolinhos frios que sobraram de ontem. Amanhã, não sei o que iremos comer - desabafa.

O casal, ele de Santa Catarina e ela de Marau, que está junto há dez meses, menciona que além das dificuldades para se alimentar, o frio é outro agravante da situação da família.

- Sem condições de conseguir pagar o aluguel, estamos devendo há cinco meses. Como ele está atrasado, o dono da casa diz que não irá arrumar o telhado. Quando chove, entra água no banheiro e no quarto das crianças. Por isso, colocamos alguns colchões na sala e ali dormimos. O meu companheiro improvisou um fogão, visando diminuir um pouco o frio - frisa Débora.

Ela recebe o auxílio-emergencial do governo, que também os auxilia neste período tão difícil.

O telefone para contato é o (54) 99933.2170. Ambos esclarecem que toda ajuda é sempre muito bem-vinda, ainda mais agora, no inverno.

 

Coragem define

Coragem é a palavra que define o casal Érico Bonfim de Almeida e Mirela Pacheco Figueiredo, moradores do bairro Basalto, que vieram da Bahia em busca de melhores condições de vida. O destino inicial foi Serafina Corrêa.

- Chegamos no Rio Grande do Sul em março. Ficamos durante um mês no município serafinense, mas a realidade encontrada não foi como esperávamos. Sem emprego, não conseguimos uma casa para alugar. Viemos com uma quantia em dinheiro, que praticamente foi gasta com passagens, refeições e hospedagem em um hotel. Já estávamos pensando em voltar para o nosso estado, quando surgiu a oportunidade para alugarmos uma casa em Nova Prata, há um mês, quando nos mudamos para cá - explica Érico.

Ele destaca que a mudança de estado ocorreu em decorrência da dificuldade de encontrar emprego na terra natal, além da violência, que preocupa demais.

Acostumados com o calor de Salvador, foi preciso se adaptarem ao novo clima. Érico fala que todos os cobertores que eles possuem, receberam através de doações.

- A grande maioria dos móveis que temos também foram doados. A população daqui é muito solidária e abençoada. Em Salvador, a solidariedade não funciona. Ainda recebemos alimentos, roupas e cobertores, pois aqui faz muito frio e estamos nos acostumando com as temperaturas baixas. Inclusive, dormimos em um só quarto para ficar mais quente para as meninas. Se não fossem as doações, precisaríamos pensar em uma outra alternativa, incluindo a volta para a nossa terra natal - frisa.

 

"Viemos com uma quantia em dinheiro, que praticamente foi gasta com passagens, refeições e hospedagem em um hotel."

- Érico Bonfim de Almeida


Junto com o casal, vieram também as três filhas, Mayná, sete anos, Mahyra, de seis, e Maria Antonieta, de quatro anos. Mirela está grávida e o bebê também já recebeu doações, como roupinhas e fraldas.

- Como lá não há emprego, queremos continuar morando em Nova Prata. O auxílio que recebemos dos pratenses e da Secretaria de Assistência Social é fundamental. Nunca morei em um lugar como aqui, onde uma pessoa ajuda a outra. Não há palavras para expressar a nossa gratidão - finaliza.

Érico explica que Mirela já está empregada e ele pretende começar a vender acarajé, um prato típico de Salvador.


Texto: Renata Grzegorek

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Família improvisou um fogão para se aquecer
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Débora Taís mostra a falta de alimentos na geladeira
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